segunda-feira, 29 de abril de 2013

Como nascem os sonhos




E então após um breve tempo de escuridão, a saber, um período inferior a milissegundos, um lampejo ilumina uma grande parte do encéfalo... Após uma série de impulsos nervosos de ambos os hemisférios cerebrais e de suas profundezas teciduais – surgem sinapses, após a ligeira e dinâmica troca de neurotransmissores. Com a excitabilidade de estruturas ventrais e da democrática atuação de grandes circuitarias, os sonhos que surgem no encéfalo representam que o ato de sonhar, por exemplo, se inicia pela própria expressão do novo.
Os conteúdos que surgem por conta da excitabilidade do tálamo e ativação frenética de estruturas límbicas, permitem ao córtex frontal uma sensação de realidade paralela, a essa altura não é mais possível diferenciar o que é real ou imaginário... A partir da interconexão entre distintos córtices cerebrais, sendo esta fruto da perfeita atuação de bilhões de axônios mielinizados, temos corredores que permitem a ativação de diversas zonas de gatilho... Podemos assim, ativar memórias emocionais, ouvir músicas que contam um pouco de nossa leitura do mundo, e ainda nos é possível ver... E nos sonhos criamos os cenários a partir de ilustrações, filmes, revistas – tudo é tão perfeito, deve ser por isso é chamado de sonho.
E se podemos sonhar em média 20 vezes por noite, observamos a eficiência do processamento de grandes estruturas... O encéfalo, a partir dos trilhões de sensores espalhados pelo organismo (internamente e externamente), permite compor trilhas cinematográficas, dignas de Hollywood, a partir de uma leitura perfeita e exata da realidade. Quantos e quantos rostos que jamais fitamos ou vimos foram criados? Tudo para dar essa faceta realística aos nossos sonhos. É mais que mágico! Temos 20 sonhos, que se expressam pelos personagens, cenários e enredos. Nós somos criativos de fato!
Quando sonhamos, o fazemos pela simples necessidade de aprender sobre o mundo... Dormimos para não morrermos e mais que isso, dormimos e sonhamos para mudar o nosso contexto de modo persistente. Ao dormirmos consolidamos memórias, emagrecemos, envelhecemos e tantas e tantas coisas que são únicas... Sonhar é preciso, como dizia a letra de algum pensador – ele deve ter dormido bem no dia anterior para escrever algo tão verdadeiro.
Para mim, o mais prodigioso de tudo – diria até indescritível, não se resume ao fato do elaboradíssimo processo comunicacional do encéfalo, tampouco pela habilidade de criarmos cenários inimagináveis. Para mim o mais importante do sonho é quando aquilo que ressurgiu das profundezas de um encéfalo se repercute na mente ou mentes de outros... O que existe de mais elaborado do que isso, a capacidade de um encéfalo ler outro encéfalo! E por conta dessa teoria da mente que elaboramos no nosso tenro desenvolvimento, vamos expressando a mágica que é a vida, ou seja, a capacidade de influenciarmos encéfalos pela fugaz necessidade de nos iluminarmos a cada noite!

Rockson Costa Pessoa