terça-feira, 13 de julho de 2010

DIZnível e EUstrutura




As vezes penso ser uma casa de 3 estruturas.
Uma parte é Eu mesmo e as demais clara figura...
A segunda é sótão, lugar de desejos, sonhos e candura.
A terceira é porão...
Lugar de delírios, pecado e loucura .


(Rockson Pessoa)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A menina na pedra



E a menina sentada na pedra almejava a lua!
De certo buscava estrutura [concreta] para tal desventura...

De tanto na pedra ficar, virou escultura...

A prova do eterno desejar.

A concretização de esperança futura.


(Rockson Pessoa)

sábado, 10 de julho de 2010

Sexo dos Anjos (My tops)


Tudo perde o brilho com o passar do tempo! Não sei se pelo cansaço dos olhos ou pela perda gradativa de tudo... As coisas caminham na atomocidade de eventos! Como a velha calça que ganha tons opacos com o passar do tempo. Como o velho vitral da sala que alheio a tudo reflete com menos vivacidade o brilho das coisas... Será uma conspiração do universo? Será apenas um processo natural ou a fantasia leviana de querer envelhecer tudo e todos? Abrimos uma boca cheia de dentes e com olhos atordoados ignoramos as pequenas mudanças, retoques na verdade que a vida dá para tudo e todos.

Nas fotos observo que a calça não é mais viva com outrora e aquela intensidade não se observa mais. Será que só a calça perdeu a majestade do brilho? Isso é algo que minha "caixa preta" tentará responder, e nesse vício de infortúnio e fiscalizar o inapropriado é que as coisas caminham ao passo lento do mundo... Como o transeunte que vaga por vitrines e fachadas e os carros que se guiam cegos pelas ruas desertas.

O velho vitral pode ser vítima da luz quem sabe? Afinal se pode culpabilizar o externo de nós mesmos! Assim se consegue o [culpado idealizado]... Quem sabe o opaco de tudo é uma luz que perdeu a intensidade, como um rosto que não esboça sorriso e como pele pálida que se refugia na escuridão.

O que sei é que... Se eu fechar os olhos tudo perde o brilho de uma maneira ou de outroa, e não importa mais a intensidade de estímulos. Confabular aspectos irrisórios é a mesmice da mente, mas quando não se tem o que pensar logo se busca questionar o sexo de anjos.

Vou dormir antes que se levante outro questionamento de notória relevância... Mas será que as coisas continuarão a envelhecer quando eu dormir? Não poderia o relógio do tempo adormecer também? Descansar quem sabe das coisas dos homens...

É sexo dos anjos!

Melhor dormir. Quem sabe em meus devaneios encontre anjos a responder levianos questionamentos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Segredo


"Há certas coisas na vida que hoje me permito entender...
Aquelas que jamais deveria ter dito.
Outras que nunca poderei dizer."


(Rockson Pessoa)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fantasia, praias e tartarugas marinhas



Há quem diga que as tartarugas sempre voltam à mesma praia onde outrora foram ovos. De maneira geral todos os quelônios possuem esse rito. Mas quero falar das tartarugas marinhas!

No período da desova elas voltam para as areias do passado... Sobem com dificuldade até a praia e quando encontram o lugar perfeito cavam, fazem a postura e por fim, tapam com cuidado e logo já estão no mar mais uma vez.

- Me sento um pouco nas areias dessa [minha] praia...

Somos como tartarugas marinhas!

Em todo o percurso de nosso desenvolvimento e existência vivenciamos 02 (dois) grandes momentos de fantasia. Infância e envelhecimento.

Na infância acabamos por conhecer a fantasia e aprendemos a fazer uso da mesma. Assim somos heróis e até podemos voar... E depois do vôo há que se pousar e assim mergulhamos na realidade "mediados" pela adolescência que floresce! Daí por diante vivemos a realidade nua e crua e passamos a viver para quitar o "consórcio da vida". Mas a fantasia não desaparece por completo, assim quando somos pais, recebemos doses de fantasia e assim confabulamos antes e após o nascimento dos filhos. E assim da mesma forma súbita que aparece ela volta a se esconder e seguimos pelo cotidiano da vida até que... Começamos a vivenciar o "declínio cognitivo e físico" e com ele também ocorre o declínio da realidade. É como se a fantasia aplicasse um "Golpe de Estado" reivindicando o trono. Com isso temos um rei infante com vestes envelhecidas.

De maneira leviana essa fantasia é para mim, a praia de nossa origem. Penso que estas areias fantasiosas nos protegem na infância, de fato elas nos constituem... Na adolescência somos forçados a ir ao mar e deixamos, meio que esquecemos a fantasia. Na vida adulta retornamos algumas vezes. Temos de colocar ovos, nossos filhos e acabamos por ter um novo contato e assim se dá um ciclo de ritos, vida e morte...

- Volto e permaneço no [meu] mar...

Mas sei que haverei de retornar para as mesmas areias e outrora. Essa praia da minha infante fantasia.

Menino de rua


Era uma vez um menino que perambulava pelas ruas da grande cidade... Seu olhar contemplava tudo e todos e por mais que o desprezassem, ele apenas sorria. Maltrapilho e descalço, se sentia o dono de tudo, afinal era senhor de todas as esquinas daquele lugar.

De noite procurava se recolher, com isso, encontrava companhia no amigo de muitos anos, um velho papelão e assim dormia e sonhava. Nos seus sonhos, já não era pequeno, e nos pés um lindo sapato... Nesse mesmo sonho, se via engravatado, como as pessoas que via na rua, as mesmas pessoas que o ignoravam e de certa maneira o desprezavam. Em certo momento, ele entrava em uma luxuosa panificadora e comia uma torta que só poderia ser comida com um dinheiro que ela não possuía. E assim seguia o seu sonho, onde assumia algo que não era ele e nem dele.

No dia seguinte, mais uma vez estava vagando maltrapilho e satisfeito, pelas ruas da velha cidade. Agora seguia para frente de uma churrascaria e ficava um bom tempo gravando cada detalhe de tudo, dos pratos, das carnes e contemplava tudo sorrindo. Depois procurava no lixo algum pedaço de sanduíche e voltava a olhar para a comida e para as pessoas que freqüentavam o lugar... Em dado momento, um mendigo que passava pelo local, e que o conhecia o indagou:

-O que você ganha olhando essas coisas meu filho? Não sabe que não tem dinheiro para comprar nada disso?!

- O que eu ganho tio? (O garoto esboça um sorriso de francos dentes)

- Eu ganho meu jantar de todas as noites, pois quando eu durmo eu sonho que posso comer tudo aquilo que vejo durante o dia. Por isso fico aqui para que a minha cabecinha não esqueça os detalhes de nada...

- O velho mendigo o olha sem entender!

- Sabe tio... Vou te contar uma coisa...

-
O menino dá uma mordida apaixonada no velho sanduíche ... Fita os olhos do mendigo com uma convicção assombrosa e em meio a um tímido sorriso, dispara...

-Hoje a noite serei aquele doutor ali

terça-feira, 6 de julho de 2010

Definições, chicletes e Apego


Daí a gente se apega...

Sem definição, sem explicação e nem critério nosológico. Simplesmente nos [a]pegamos! Meio que nos colamos em certo alguém. E não tem explicação plausível... É como encontrar aquele chiclete velho embaixo da mesa na sala de aula... Sem elucidação!

Necessitamos do outro... Precisamos respirar novas idéias, novas formas de escrita, novos estilos de poesia e doses vitais de carinho. "Somos onívoros de amor" - disse Neruda! Há em nós um espaço ideal para o encontro com o outro... Há a vaga exata, para que estacione um carro, uma moto e por que não uma bicicleta, na porta de nossa vida. Claro, claro... Pode ser aquela bicicleta com buzininha estilizada, assim facilita até o preparo para o encontro.

"Você dá aquela buzinada e minha pessoa já se prepara para te receber". Somos assim... Seres inexplicáveis, mais cheios de amor sem forma definida...

Somos chicletes!

Sei lá, chicletes que foram colados em dado lugar e sem qualquer configuração de espaço, nos sentimos assim, meios que pela metade, mas totalmente cheios de amores e desejos. Chicletes velhos em madeiras novas - espaços antigos em eternas e novas configurações...

E sabe por quê?

Porque nos apegamos... Pegamos a vogal, que pode ser definida como o Eu e colamos em um verbo tão forte que pode ser VOCÊ e assim há um link perfeito/ imperfeito... Nos A PEGAMOS e nessa furtiva necessidade de contato, eis que surge: APEGO!

Agora você é minha madeira... E Eu teu chiclete