terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Entre o amar e o perder


É impressionante o quanto negligenciamos os sentimentos alheios,  destes muitos sentimentos, quero debruçar-me sobre o amor... 

Quem de nós não deixou aquele "alguém" sair de nossas vidas por um descuido? Quem nunca perdeu a pessoa amiga e amada por falta de respeito, cuidado ou atenção? Penso que a lista é grande, afinal faz parte do rito humano: perdas e ganhos; dissabores e prazeres; sonhos e desventura...

Deveríamos obrigatoriamente no início de uma relação simular términos, quem sabe isso pudesse poupar uma perda real futura... Desde o berço aprendemos a lançar para longe os brinquedos, pois esperávamos que nossos pais nos restaurassem o perdido... Com o passar do tempo alguns de nós assimilamos esse comportamento e de tal forma, ainda agimos como crianças inconseqüentes, que assim vão negligenciando sentimentos, corações e relacionamentos.

É uma pena observar que certas pessoas não percebem que corações não são brinquedos! Que a vida das pessoas não é mero objeto, por mais seres objetos que elas possam ser. E assim enxergamos pessoas querendo "resgatar" um sonho interrompido, como se amar fosse sinônimo de "a prova de tudo", ledo engano. Deveríamos aprender que tudo na vida necessita de um cuidado. O amor da mesma forma, só se mantém vivo, a partir de atenção, compreensão, carinho, respeito, afeto e outros demonstrações , que por vezes consideramos banais, mas que são muito importantes.

É claro que muitos desses dolorosos acontecimentos de rompimento e término propiciam um amadurecimento e assim descobrimos que há limites para tudo e todos. Infelizmente há pessoas que demonstram não assimilar tal idéia - de que existe mais em jogo na relação, afinal, sentimentos desvairados e egoístas são penalidades nesse campo. Para se amar se faz necessário a conjugação do verbo renunciar... Mas quem quer renunciar? Os sujeitos de hoje trazem o gene da individualidade e assim querem tudo a preço de nada, a partir disso observamos casais que casam, mas mantém a identidade de solteiro. Isso é um complicador na medida que facilita um conflito de papéis e habitualmente resulta no término da relação. Como esperar que crianças egocêntricas saibam dividir o berço? Enquanto os sujeitos não compreenderam a necessidade da renúncia,  continuaram no confllito dos seus berços  ideatórios.

No amor reside à própria perda... Diferentemente da paixão que se fixa na fantasia buscando o ganho deliberado - o amor já surge com a emergência de perdas: da individualidade, da essência egocêntrica e somente com essa morte e a busca pela elaboração do perdido, podemos avançar em busca de uma identidade de casal. Quando amamos perdemos a prática das coisas banais que nos definiam como solteiro e passamos a  fazer uso (incorporamos) de novos costumes que permitirão a constituição de uma nova realidade como pessoa, fato necessário para a gênese do relacionamento maduro... No amor ocorre a perda presente do indivíduo a partir de uma flexibilidade madura de que essa perda no hoje permitirá um ganho para o casal em um futuro próximo e/ ou distante.

Maturidade não é reflexo de um desenvolvimento biológico apenas, é a junção deste com o progresso psíquico dos sujeitos. Para crescer é necessário investimento e desejo, porque crescer é chato! Afinal enquanto temos na retaguarda uma pseudo-segurança, jamais alçaremos o vôo - ficaremos no ninho de nós mesmos e com o passar do tempo seremos estranhos em berços desconfortáveis. Enquanto não arriscarmos os primeiros passos em busca de um adequado papel, nos conformaremos em arremessar oportunidades, relacionamentos e até mesmo a vida, como crianças birrentas e medrosas que engatinham e se negam a avançar... E quando constatarmos que o quebrado nem sem sempre se conserta e que o lançado não volta na maioria das vezes... Teremos acordado em um novo cenário - a tal realidade adiada e negligenciada, que cobrará seu preço.

TEXTO: Rockson Pessoa
IMAGEM: http://salvesalveessanega.blogspot.com/2010_05_01_archive.html

36 comentários:

Eraldo Paulino disse...

Meu caro, e como isso que falas é importante.

Vivemos num tempo em que nosso próprio umbigo atrai quase a totalidade de nossa prioridade, e ao não perceber a importância do que o outro sente, sem querer acabamos nos machucando.

O equilibrio da vida é fazer pelo outro o que gostaria que fizessem conosco.

Ótimo post.

Abraços!

Cogu Cogumelo disse...

Com tudo isso penso que o ser humano está fadado a amar.

Mas se fosse assim, será queo mundo seria como é hoje?

Abraços.

http://cogumex.blogspot.com/

Crônicas do Cotidiano disse...

Olá Eraldo,

É a busca eterna pelo equilíbrio... Isso é difícil hein!
Abraço meu amigo!

Oi Cogumelo,

Não... Seria melhor! Mas não seria perfeito, pois somos seres imperfeitos (penso eu).
Bjkss

Michelle disse...

Migo, com essa vc ateu forte no coração dos apaixonados, de forma que eu como uma eterna apaixonada fiquei boba com a sua idéia de amor e parceria, vc foi forte! Gostei mesmo!!! bjs

Crônicas do Cotidiano disse...

Oi Michelle!

Agradeço o carinho!
Um beijo querida!!

Michelle Hayden disse...

o amor eh lindo , gosto de comparar o amor independente de amizade, namoro ou casamento com uma plantinha, que temos que regar, podar, alimentar todos os dias, se nao um dia ela morre... seu texto ta o maximooo... bjos e eu so a única michelle hayden rsrsrsrs

Crônicas do Cotidiano disse...

Oi Michelle Hayden,

Já disseram que somos únicos - você reforça a idéia!
Bjkss querida

Kátia Nascimento disse...

Amigo... Que texto maravilhoso!!
Hoje encontramos grandes profissionais: pós graduados, mestres e doutores. Porém, muitos imaturos sentimentalmente. Precisamos de "pessoas" que gostem de "pessoas".
Beijos e uma ótima semana!

Crônicas do Cotidiano disse...

Olá Kátia,

Precisamos ser tais pessoas, acima de tudo!
Bjkss

Lau Milesi disse...

Brilhante! Você me levou a pensar o que li em Iosif(Dominique). Há um conto em ela diz que o afeto se equipara à violência."Amar mata". "Alimentar o amor é perder a delicadeza"...
E por aí... vão as mazelas do verbo amar.:)

Um abraço e aplausos para o post!

Crônicas do Cotidiano disse...

Olá Lau,

Amar é um processo!
Bjkss minha amiga

Teresa Cristina disse...

Rockson, que texto lindo e atual, no século em que as relações parecem ser tão descartáveis assim como as pessoas que se relacionam uma com as outras. Sempre acreditei num amor maduro pautado em sentimentos nobres que vc destacou. Ótima reflexão. Desejo um amor assim para a sua vida, pois vc merece! Bjus

Crônicas do Cotidiano disse...

Oi Terê,

Obrigado pelas doces palavras... Mais ainda pelo que desejas pra mim!
Todos nós merecemos o tal amor verdadeiro... Que ele surja no momento certo!
Um beijo minha amiga!

Malu disse...

Adorei o texto !


Quem vive sem amar , não vive.
Pensa que vive !


BjO.

Jéssica Damasceno disse...

Oi,

Obrigada por visitar o Coisas Minhas.
Adorei o seu texto.
Sigo-te.

Bjo bjo

p.s:Volte sempre

Lu Nogfer disse...

Ola querido!

Eu amo esse assunto e o seu texto esta perfeito para refletir,pena que ando ainda muito sem forças pra comentar devido ao que estou passando mas eu sei que vai passar e logo estarei aqui com vc.Vou linka-lo!

Muito obrigada pela a visita e pelas palavras la em meu cantinho!

Abraços e ate logo

♥JÔ♥ disse...

E assim enxergamos pessoas querendo "resgatar" um sonho interrompido, como se amar fosse sinônimo de "a prova de tudo", ledo engano.


Passei para agradecer tua visita no "Lágrimas" e me deparei com teu texto!
Incrível...não poderia ter "aparecido" em hora melhor.
Me identifiquei muito, e tu nem tem idéia de quanto!
GENIAL! =)
sigo te lendo...

disse...

É sempre difícil, anyway!
Obrigada pelo carinho da visita!
Beijos!

Suzi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suzi disse...

.

Nossa!

Quão linda e verdadeira sua crônica.
Me emocionou, me caíram lágrimas...
Talvez por estar passando por um momento de perda me bateu tão profundo.

"faz parte do rito humano: perdas e ganhos; dissabores e prazeres; sonhos e desventura..."

Nunca nos consolamos com as perdas, mas temos que seguir em frente. Fazer o quê?

Seja muito bem-vindo!

Sigo-te também.

Beijos

.
.

Luna Sanchez disse...

Ah, guri, diz pra mim que é possível ser casal, ser par, sem deixar de ser indivíduo, diz?

=\

Eu não saberia me perder em alguém a ponto de não saber mais onde eu começo e onde o outro termina, essa ideia não me apetece nadinha. Acho que isso empobrece a relação, sabe? Como se fosse uma taça de sorvete com vários sabores, em porções bem definidas e coloridas : é bonito de ver, combinam entre si. Mas quando derretem e se transformam em uma coisa só, misturada e não identificada, eca!

Eu quero fazer 2 de 1 + 1. Sempre 2.

Beijos mil!

ℓυηα

Marcio JR disse...

Olá, Rockson.

O amar e o perder são faces da mesma moeda. Eu diria que não existe uma fórmula correta para se manter uma relação num nível estável ou aceitável. Tudo depende de muitas variáveis, pois, raramente, você juntará duas pessoas que pensem ou ajam de uma forma uniforme ou homogênea.

Evidentemente, a cumplicidade e a renúncia serão, sempre, ingredientes de muita valia para que uma relação siga seu curso sem muitos "acidentes" pela frente, mas, em contrapartida, quando apenas um dos lados pensa dessa foram, a outra metade acaba se prevalecendo e aquele que se entrega de corpo e alma paga, e caro, por isso.

O egoísmo, também citado por você, é o que acaba corroendo uma relação, e muito dele vem do berço, da educação recebida em infância, e do espelhamento que a criança tem nas atitudes dos pais ou responsáveis. E, também, numa sociedade onde tudo é descartavel ou efêmero, a tendência é que isso também comece a prevalecer nos relacionamentos amorosos.

Não sou daqueles que diz que uma relação deve ser materializada perante preceitos religiosos, pois acho que, antes de qualquer coisa, deve existir uma conjunção de gênios e sentimentos. Chego a pensar que divergências religiosas até atrapalham uma relação, pois tudo que é levado a ferro e fogo, sem chances de maleabilidade, não tem tendências de dar certo.

Mas, enfim, estamos falando do ser humano, não é? E a inconstância de atos e sentimentos é que rege este ser.

Excelente crônica. Gosto do seu estilo e dos temas que você escolhe. Parabéns.

Marcio

Madonna disse...

Estou passando para retribuir a visitar e dizer que sigo seu blog com gosto! Gosto da forma que escreve, você arredonda bem as palavras!

Parabéns, beijos na alma!

www.ameninaquesacudiapalavras.blogspot.com

Malu disse...

Olá , amigo querido


Passando pra te reler e desejar
uma Noite de Paz ...


BjO.

Crônicas do Cotidiano disse...

Oi Malu,

Tow contigo e não abro!
Bjks

Oi Jéssica,

Prazer é meu!
Bjkss

Oi Lu,

Desejo toda Paz para você!
Um beijãooo

Oi Jô,

Fico feliz pelo texto ter te impactado! Volte sempre!
BJkss

Oi Lú,

Prazer é meu!
Bjkss

Oi Suzi,

São os nosso ritos! É aprender a aceita-los!
Um beijo e volte sempre.

Oi Tartaruguinha...

Penso (minhas teorias e divagações...)que esse sentir-se duplo, não implica numa perda de identidade - longe disso. Penso que seja aquela "sensibilidade" que surge quando você se encontra aquela pessoa que é parceira! Não digo que quando se ama a mulher usa uma burca e o homem anda igual um cachorro lazarento, eu mesmo nunca fui fã de relacionamentos simbióticos porque esses são os mais doentios. Digo que a identidade de casal, surge na medida que você se conhece (compreende a totalidade de sua identiddade - aí incluem sua gostos, pensamentos, ideias e etc)essência. Amor é encontro... Não uma fagocitose de planos e sonhos...Concordo contigo: Não existe a metade da maçã, a tampa da panela nada disso... Penso que exista a pessoa certa, na medida que ela acaba sendo o(a) amigo(a) - aquele que testemunhará tua vida. As renúncias surgiram quando compreenderes que somos diferentes - indivíduos únicos - e por isso, pensamos de maneira diferente e cada maneira tem seu charme e encanto.
Amar (penso eu... Não sou professor e nem mestre em amor) para mim não é resumo de vidas, mas estrofes e frases que compõe a obra de um casal que nutre um sentimento comum.
Bjkss.

Crônicas do Cotidiano disse...

Oi Márcio,

Concordo contigo: Nada de fórmulas secretas! Se tivesse as indústrias farmacêuticas já estariam produzindo a pílula do amor!
De fato tem de ter equilíbrio e penso que a saúde da relação se mostra nesses equilíbrios adequados.
Somos egoístas - fato! Devemos e atenuar, aparar as arestas que podem destruir uma relação.
Acreditos que as questões religiosas são importantes: Para o ateu é interessante algúem que pense de maneira próxima, da mesma forma que para uma pessoa que crê em Deus é necessário alguém que vá com ela na igreja, ou saia com os amigos do mesmo lugar. É o que penso... Pois gostamos de dizer que o amor é mais e tal, mas ele tem sua parcela de objetividade e como imaginar um casal feliz que não comunga da grande maioria das idéias? Conflitos e conflitos e daí sim... ALguém vai ceder mais e será figura dominada da relação
Um abraço Márcio!

Oi Madonna,

Prazer em tê-la aqui!
Bjkss

Juliana. disse...

O amor é uma bela flor, à beira de um precipício. É necessário ter muita coragem para a ir colher.”
Stendhal

Bom, acredito que é isso também na vida, é preciso vontade, coragem, fé para seguir e vencer!

Um abraço meu amigo!
Realmente um belo texto!
Grande Psicologia!

Marli Borges disse...

Olá Rockson!

Vim conhecer o teu Blog e encontro esse post maravilhoso! Quero ler mais, vou continuar por aqui...

Esse texto é oportuno e verdadeiro. Diz com precisão o que é preciso dizer.

No meu sentir, tem uma frase que exprime a idéia central de forma absolutamente simples e fantástica: "...o amor já surge com a emergência de perdas: da individualidade, da essência egocêntrica..." Para mim, é exatamente aqui que está o calcanhar de Aquilles, pois implica num modo de vida onde o equilíbrio é o fiel da balança. Os dois lados devem, cada um, fazer a sua parte, sob pena de um se anular, corroído pelo egoísmo e imaturidade do outro. E aí, a relação acaba. Ih, vou parar por aqui, senão me empolgo e vou adiante.
Bjssssss

Marli Borges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana SS disse...

Disse a Clarice Lispector, que amar é não ter.

Grafite disse...

muito bom seu blog!
realmente adorei as palavras...

beijo,
*.*

Carolina disse...

Oiiie, to seguindo vc tbém, muito bacana seu cantinho! beijo

Vanessa Souza Moraes disse...

Muitas vezes neglicenciamos os nossos, também.

E nem sempre tudo o que se deixa de fazer tem como grande objetivo deixar o outro mal. A vulnerabilidade - maior ou menor - é de cada um.

Há que se responsabilizar...

CARLA FABIANE... disse...

paz!
esse é o segredo para o amor...
assim vemos tudo e todos com piedade e gratidão...
as transformações só acontecem com o
equilíbrio.
um beijo...

Crônicas do Cotidiano disse...

Oi Ju,

Falta coragem a muitos de nós!
Um grande beijo minha amiga,

Oi Marli,
Obrigado pelos elogios...
Temos de buscar esse equilíbrio mesmo!
Bjkss e volte sempre

Oi Ana SS,
Sempre ela é! Concordo!
Bjkss minha amiga

Oi Grafite,

Grato e volte sempre!
Bjkss

Oi Carolina,

Prazer tê-la aqui e volte sempre!
Bjkss

Oi Vanessa,
Concordo contigo... Vulnerabilidade é constituinte dos homens!
Bjkss

Oi Carla,

Busquemos então a paz e o equilíbrio...
Grande beijo

Anônimo disse...

100 por cento teu texto Amei bjoo