quarta-feira, 29 de abril de 2009

Olhos


Miro teus olhos
Reflexo tenho...
São apenas momentos
De fitar o que eu amo
Estranhos em abandono
Olhos tristes...
Por fim eu fito

Miro teus olhos
Um doce momento
Olhos vivos de lamento
Por de mim estar bem longe
Não me julgues leviano
Pois meus olhos também choram
No escuro... No ilusório
Tristes... muito tristes
Meus olhos

Miro teus olhos
Com uma saudade eterna
Um suspiro na caverna
Do desejo camuflado
Um misto de pecado
Por querer olhos tão belos
Um pesadelo que não nego
Sentir descompassado

Miro teus olhos
Sem desprendimento
Se é medo... Eu só lamento
E já cerro enfim minha vista
Saiu e parto da tua vida
Mas os olhos carrego comigo
Não de maneira física já te digo
Mas carrego na lembrança
Na saudade de criança
Dos olhos que em mim
Marcam para sempre
São espelhos reluzentes
De um passado bom que vivi
Se chorei ou se sofri...
Não cabe a mim responder
Pois meus olhos já o querem dizer
Nessa lágrimas que insistem em correr
Pela pálida face que fica
Como um presságio de saída
Tristes olhos....
Larguei da vista

Verso do chão


Da flor da terra
Brota sentimento
Ligeiro frescor de rebento
Nasce assim breve momento

Do campo brota
Saudade de vida
Pequenas paragens sentidas
Doce aroma de cor e de vento

Da terra que emerge a flor
Não mensão de ódio ou pavor
Há porém um despertar manifesto
Um acorde do universo
Força bruta que cega

A relva que cobre a campina
Desprende-se da colina
E até o além... Segue
Desperto do sono confuso
Um amante moribundo
Do triste fim que persegue

Toco nesta terra
Posso sentir o pulsar dela
Nesses estranhos fragmentos
São desejos e pensamentos
De uma semente lançada
Sou ferida na lava
Uma perspectiva inabalada

O Mar e areia


O mar ligeiro chegou na praia
Deixou a areia descoberta
E a beijou sem frescura
Um selinho de candura
Um amor mera loucura
Era o mar e areia nua

O mar correu para a areia
Como que com braços mágicos
Abraçou a amada...
Ondas e fantasiosas braçadas
Pareciam um dançar de bela valsa
A areia se entregou nas ondas
Das águas do revolto mar
Agora enamorados...
Era um eterno encontrar

O mar e a areia
selaram um pacto apaixonado
E no fim da tarde... O mar não se faz revoltado
Pois para a amada se prepara para o encontro apaixonado
E o mar silencioso dá os braços
Para saudar o encontro tão esperado


O mar e a areia
Amor e fantasia...
Não se sabe!
Mas que o mar beija a areia não há que duvida
Beijos enamorados... Como se fosse a primeira vez
Que se encontram apaixonados
No eterno ir e vir
Do saudoso e gostoso...
TALVEZ do mar do acaso

Vira-lata



Viro-lata
Como lixo
Não me deixo
Rotular nem por carinho
Minha raça...
Eu mesmo crio

Viro-lata
E mordo forte
Não me entrego por mero sorte
Afinal sorte é para aprisionado
Em fáceis dogmas do passado
Sou comum, mas sou letrado

Viro-lata
E sujo tudo
Rasgo os assuntos absurdos
Pois na minha lixeira cuido eu
Só porque eu sou plebeu...
Não tenho direito a passaporte?
Pois Andar em comum transporte...
Mas onde vais eu vou também

Vira-lata
Isso eu sou
Sou amante e sofredor
Mas pelo menos vivo
Não ando de laçinhos
E não me escondo em títulos
Sou uma mistura de sentidos
Que bom...
Posso ser tudo que sinto
Sem pedigree e sem carimbo
Sou eu de mim mesmo
Autêntico no espaço
Vira-lata....
Misturado

Sou eterno devotado
Do sentir-se especial
Não me tenhas por normal
Se não tua casa miro e tal
Me vejas por canino
Um inteligente cachorrinho
Que pode balançar o rabinho
Mas nem sempre é cordial

Mordo e mordo
Já disse e repito
Sou vira-lata e não gatinho
Eu lato e não mio
Por isso me deixa passar
E seguir o tino
Não te incomodarei nem um pouquinho
Viva tua vida e segue teu rumo
Pois tenho minhas latas
E isso me basta
Não viverei de mesada....
Minha boca uma sacola já rasga

O que é amar?


O que é amar?
Será jurar amor pra sempre
Sem se deixar levar...
Levar pelos caminhos oblíquos
Da vida em frente ao mar

O que é amar?
Será cantar canções na chuva?
Será comprar presentes em furtivas
Necessidades de estar...
Na cabeceira lustrosa do quarto
De quem se espera encantar

O que é amar?
Será chantagem barata?
Será aprisionar com belas palavras
Ou seria apenas fingir um ar apaixonado
Ser um peixinho apaixonado...
Ao soltar borbulhas de amor no porta-retrato

O que é amar?
Seria viver de esperar?
Esperar pela pessoa certa?
Com os mesmos sonhos e mesma coberta
Ou seria arriscar-se em fúrtivas descobertas
Na perdida e anônima noite...
Noite enluarada em seresta

O que é amar?
Será que sei?
Será que vem escrito em japonês...
Ou em língua alienígena
Será que tem gosto de salsicha?
Ou se vende em taberna clandestina
Não sei...

O que é amar?
Interessante pergunta
Só não vou pegar a bermuda
Porque não é tão curta a dúvida
Porque amar...
É para mim via dupla
Onde corações se encontram
Sem raiva ou multa

A flor e o escorpião


Um dia a flor encontrou o escorpião
Era um espinho e um ferrão
Que travaram uma luta
Um embate na escura
Calada e fria noite
Solidão

O escorpião picou a pétala
Esta se viu indigesta
Pela dor que logo sentia
O veneno lhe deu um tom meio cinza
Mas era uma pétala a mais que se desprendia
Vida

A rosa furou o escorpião
Este sofreu com o espinho
Que desferiu fatal golpe desatino
Pois cabeça não se troca
Assim o escorpião sofreu derrota
E morreu sem entender a moral da história
Pois a morte está na porta
Não existe negociar e nem volta


O frágil nem sempre é pobre coitado
E pétalas logo nascem ...
Mas os espinhos na verdade
Esses caem e se perdem
Na carne... Nefasta carne em que aderem
Causando dor e até morte...
Daqueles que valem da sorte

Cuidado escorpião
Pois até com teu aguilhão
Podes perder em combate....
Te parece insanidade
Mas é a dura realidade da c0nstatação
Pois o fraco na verdade
Faz uso....
De reparação

A flor e o escorpião
Duro e triste embate
Quem perdeu na verdade?
Não sei dizer ao certo
A flor continua no deserto
O escorpião...
Esse ao certo virou eterna saudade

Andarilho


Vago pelo mundo
Sem companhia ou bagagem
Estranho de viagens
Sigo meu rumo sozinho
Um andante em desatino
Andarilho

Viajo nos desertos
Sem guarda-roupa nem supérfuluos
Deixa pegadas na areia
Um errante de carteira
Carteira sem documentos e lenço
Um pedaço d sentimento
Andarilho

Transito nesses mundos
Enlouquecendo nos frios profundos
E me aquecendo em corações empolgantes
Não me chame pelo nome
Pois não existe nem apelido
Andarilho

Vago e assim vivo
Sem tristeza nem sorriso
Olhar sério e vou partindo
Já deixei um saudoso livro
Que me intitula com carinho
Andarilho
Não