terça-feira, 16 de novembro de 2010

Porque o mal não está lá fora...



Recordo-me da minha infância... Nas tardes corríamos como loucos e comumente chegávamos em casa com alguns arranhões, era a prova das peripécias de uma infância sadia. Eram tantas brincadeiras e tanta aventura que o tempo era pouco, para nós de pouca idade.


Quando o sol já se escondia, e os sons eram orquestrados com maestria - tudo silenciava, nossos pais ficavam no portão e nos chamavam, na verdade berravam e aí de quem se fizesse repetir. Era o fim de mais um dia e término de mais uma brincadeira de rua.

Eu achava que o mal morava na rua pela parte da noite... Acreditava que no escuro as coisas que eu mais temia ganhavam vida, por isso deveria estar em casa em "segurança". Quanta ingenuidade...

Enquanto nas ruas os cachorros hoje latem e se espantam com o vento que assovia e passa correndo, trancamos nossos lares e nos refugiamos em nossos quartos para cumprir um rito natural dos homens - comportamento de proteção para sobrevivência. E quando as luzes se apagam, surge outro mundo e nele o medo pelo mal que de certo se esconde lá fora...

Certa vez Rubens Alves escreveu: "Mansamente pastam as ovelhas e os lobos estão soltos...". Nesse livro ele diz que as ovelhas (as pessoas do bem) estão presas em suas casas e os lobos (os de má índole) vivem soltos e impunes. Mas será que o mal reside apenas lá fora? Será que no conforto de nossos lares ele não está? Devemos analisar bem tais possibilidades.

Nos porões de nossa mente, onde lobos são aprisionados e onde o medo é temido, devemos avaliar que o espelho não é de todo verdade - ele mente e existe assim, naquilo que fingimos ser ilusão ou metáforas do ego, um espaço propício para o mal. Não digo que sejamos de todo ruins, mas de monstro todo doutor tem um pouco e o homem quando despido de seu rótulo... Nada mais é que um simples animal. Assim sendo, volto a questionar: O mal está mesmo lá fora? Ou ele já se confunde com uma parte de nós, quando sozinhos percebemos que nossos intentos não são tão bons assim? No momento que ignoramos nossas atitudes para as demais pessoas, ou quem sabe quando num desejo irresistível de ter aquilo que se deseja, acabamos por não considerar obstáculos. De fato, há em todos um sentimento que necessita ser dominado, ou ele tomará as rédeas da sua psique.

Nossos pais já sabiam...

Já sabiam que o mal podia se apropriar de nós! E assim naquelas chamadas ao fim da tarde, não temiam apenas por um mal que residia ali naquela rua, mas temiam por um mal que existe em tudo. E que este nos tomasse como reféns em momento oportuno. Eles sabiam... E nós éramos crianças ingênuas demais para considerar tal ameaça. Com o tempo aprendemos a trancafiar o mal dentro de nossos porões, por simples associação, pela aprendizagem ou por singelo descuido infantil. O banho não era apenas banho, era a metáfora de que expurgar o não desejado se faz necessário sempre - a vida é feita desses ritos que considerávamos tão banais. Sendo assim... É importante dizer mais uma vez que... O mal jamais esteve lá fora... Ele está ao nosso lado. Está em nossas mentes, sonhos e intentos. Não há portas que o possam aprisionar nem correntes que possam imobilizá-lo... Ele só pode ser neutralizado com domínio próprio e um amor que vem de casa.

Por isso nessas noites frias e silenciosas quando você trancar as portas, não tema pelo vento que corre depressa, nem por aqueles que praticam o mal na esquina. Conte uma história para seu filho e filha, dê um abraço apertado... E quando aqueles olhos grandes em face pequena, denunciarem um medo oculto, diga que embaixo da cama não há monstros e que você vai sempre protegê-lo... Ele irá entender e um dia saberá também, que o mal está sempre correndo por aí, como um vento louco que assobia ou como a chave que enferruja dentro de nossos lares.


TEXTO: Rockson Costa Pessoa
IMAGEM: http://algunstrintaanos.blogspot.com/

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Face oculta da lua (My tops)


A verdade (profunda verdade) é que existe um momento em que buscamos ficar a sós com nós mesmos (risos). Há de vez em quando o forte desejo de se desligar... No fundo precisamos refletir sobre as “coisas” que vivemos. Nessa hora ou momento, queremos (e fazemos também) desligar o celular, deixar de olhar o orkut e até deixar um pouco de lado os colegas. Isso não é ser anti social, na verdade é respeito próprio (amor próprio quem sabe...).

Temos planos (perfeitos/imperfeitos) e quando menos esperamos, costumamos confabular com “nossos botões” coisas do tipo: Será que vale a pena prosseguir por esse caminho? Devo investir nessa pessoa? Esse sonho é mesmo o ideal? Alguns podem não concordar, mas muitos fazem uso dessa “ferramenta mental” que alguns chamam de abstração. Há que denomine isso de frescura e conhecemos também o famoso termo – meu tempo. No fim é tudo a mesma coisa.

Eu realmente acreditava que isso era um mero querer, como um item de luxo de carro importado, mas hoje percebo que na verdade necessitamos desse tempo. As vezes precisamos colocar a cabeça no lugar (metaforicamente). Não quero fazer apologia à solidão (solidão é algo bem diferente), só acredito e respeito que as vezes necessitamos “sair à francesa” para reaparecer em um outro momento do espetáculo. Como a fênix, só que com menos drama e efeitos especiais (risos).

Não há nada como Nós! Não existe nada tão complexo quanto o Ser Humano. Afinal há quem se esconda buscando ser encontrado, da mesma forma que existem pessoas que se mostram para jamais serem notadas.

A grande verdade da vida é que em cada um de nós existe a face oculta da lua. O lado desconhecido que buscamos ao longo do tempo desvendar (nem sempre conseguimos). Por isso... Respeito o tempo e a necessidade dos “ermitões de fim de semana”, afinal cabe a cada um, o seu tempo e momento, para conhecer-se a si mesmo. Para desbravar as profundezas do seu Eu e assim desvendar o oculto das coisas que lhe são impostas pela vida.

A face oculta da lua...


A face oculta da lua está a todo o momento ao alcance de nós mesmos... Na altura da necessidade de se conhecer um pouco mais e na localização desconhecida e inacessível de nossas imperfeições – tão pertinentes aos pobres e incautos homens que somos...



TEXTO: Rockson Costa Pessoa
IMAGEM: http://eternosaprendizes.com/

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para falar de flores



Agora é primavera em Porto Alegre... Da minha janela vejo a vida que se renova. Nas praças as crianças colhem amoras e tudo é verde. Tudo é vida que chega em tons multicoloridos.

O interessante das plantas e flores é que elas não necessitam de um cuidado contínuo, pedem apenas água no nascer do dia e gotas no final da tarde... E de resto fica o mistério do florescer no ritmo ideal – no ciclo e tempo certo. E assim teremos amoras, quer dizer, as crianças terão amoras para colher do decorrer do tempo.

Ao contrário das flores, as crianças necessitam de muito mais, não basta apenas água em período disperso e nem tampouco amoras em determinadas estações. Há muito mais em jogo, mas será que todos sabem disso? Talvez não...  Por Deus! As crianças estão “largadas” em praças e não apenas para comer amoras!  Nas ruas, em casa em todo lugar vejo crianças que crescem em total abandono e descaso. O que pensamos? Será que ingenuamente achamos que a chuva irá propiciar sonhos e bosques imaginários a elas? Talvez culpemos o Estado e assim poderemos ensaiar o discurso “ Eu amava tanto meu filho que...”. Nada além de falácia!

Às vezes busco encontrar bons pais e mães e confesso que está cada vez mais difícil. Ainda encontramos mulheres que engravidam para “segurar marido” e homens que pensam que filhos são plantas, afinal não conversam, não dão atenção, educar é luxo e amor ficou no passado. É triste ver mulheres que abrem a boca para dizer “Sou Mãe!” Mas que na prática tratam filhos como arranjos artificiais, algo que é bonito de se ver, mas que não carece de cuidado algum. Já os homens com seus bonsais de estimação... Mas os filhos crescem... Ah se soubessem desse detalhe.

Quem os obrigou a tê-los? A única coisa que nasce sem nosso querer é o mato que teima em invadir a horta dos sonhos! Mas se eu desejar ter Tulipas no beiral, terei de comprar sementes ou adquirir uma muda – existe investimento. Como aceitar que ainda hoje se possa conceber crianças por “erro de percurso”? Há algo errado... Em algum lugar existe resposta para tal questionamento? Será culpa da primavera? Teria a água sua parcela de responsabilidade ou são as árvores que agem como afrodisíaco? Pouco importa... A verdade é que crianças não são vegetais e um dia os pais que hoje as negligenciam perceberão isso.

Agora é primavera em Porto Alegre... Da minha janela não posso ver muita coisa, mas escutar isso é possível e os tiros pude ouvir. E na praça onde as crianças comem as amoras um corpo jazia no chão. E assim um Sr de um nome que não sei, chorava pelo filho que ali morto estava, um pré-adolescente viciado em crack.. E na véspera do dia das crianças foi o que vi... Se ele foi um bom pai? Isso jamais saberei... Há coisas que permanecem como mistério. Tal como as amoras que crescem na Primavera, tal como o amor que nutre pais e filhos.



TEXTO: Rockson Costa Pessoa
IMAGEM: http://picasaweb.google.com/lh/photo/9K-9LArHgQxb3KRrXaowVA

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Porque Palhaços também choram!




E quem diria... Os palhaços também choram, por debaixo da maquiagem há o que não se pode esconder e nem tampouco disfarçar. E assim nesses últimos dias aprendi a lição mais valiosa... Por detrás da máscara há o que se quer revelar! Como os palhaços que esquecidos ficam a lamentar... Sua história, papel e lugar.


No último domingo vivenciamos um dia eleição. Nessa mobilização nacional muita coisa pôde ser vista e avaliada. Agora caminhamos para um segundo turno para presidente e podemos ainda eleger a primeira mulher para o cargo mais importante do Brasil (isso não é campanha Pró Dilma é apenas observação neutra). Há muita carta na manga e ainda está em nossas mãos a definição política do nosso país.

Ruas sujas e um sentimento político enfraquecido foi o que se observou nesses últimos dias. Os olhos cansaram por tanta informação desnecessária e promessas flutuantes e vazias. Diria que foi um humor negro e nesses minutos de fama, ouvimos descrentes tantas promessas mentirosas e que traduziam apenas a leviandade para com a população.


E nesse cenário caótico me deparo com a eleição do Tiririca. Seria isso uma piada sem graça ou  desespero de um povo que acaba rindo para não chorar? Nessas ironias da vida o Tiririca se tornou o deputado federal mais votado no Brasil. Não bastasse o humor na política ganhamos também esportistas duvidosos, como o Romário e me questiono qual é a tática? Ele vai atacar ou ficar na banheira de Brasília como sempre fez nos tempos de futebol? Só o tempo dirá...


E no país onde “heróis duvidosos” são aclamados  e acabam por se tornar representantes legais, não se pode aceitar que a brincadeira de o tom da situação vivida. Temos de avaliar mais o nosso papel e que questionar que contribuições demos e temos dado para esse panorama político. É triste perceber que no Supremo Tribunal não haja consenso quanto a “ficha limpa”, mas em contrapartida o mesmo tribunal libera a obrigatoriedade do título eleitoral, algo que não se explica – cabe ao eleitor compreender a moral da piada,  pois justificar o humor não é humor é drama. E com essas paródias inusitadas questiona-se até onde vai a impunibilidade? Até quando rirão de nós? Até quando nos farão de tolos? Penso que por muito tempo... Pois há ainda um grande número de analfabetos, semianalfabetos e analfabetos funcionais, que servem como trampolim improvisado para lançar  malabaristas públicos que teimam sempre na improvisação da mágica mais voraz –  fazer desaparecer recursos financeiros públicos.

Por fim ainda negligenciamos a educação no Brasil. Em nenhum  momento se afirmou os 10% da educação. E nesse mundo de surpresas a maior revelação: o sério que virou palhaço, e assim o tal Plínio tinha razão... Não que tivesse as melhores idéias ou perspectivas de uma eleição, mas de maneira simples e direta, apontou na ferida do Brasil – educação. E nem Dilma e tampouco Serra assumiram o problema e agora o que fazer? Penso que agora é observar a continuação do espetáculo, o que é difícil, pois enquanto os palhaços continuarem chorando, não terá graça as piadas da vida política no Brasil.


E quem são os palhaços que choram?

Os palhaços que choram são os que cumprem o papel de bode social. Aqueles que marginalizados alimentam votos de aproveitadores, aqueles que são obrigados a servir em busca de bolsas discutíveis e que às vezes nem se percebem como sujeitos. São os alienados, ridicularizados – os que não tem voz. Esses são os palhaços que choram... E enquanto não educarmos o povo de maneira justa e eficaz, estes continuarão coadjuvantes da vida.


Texto: Rockson Costa Pessoa
Imagem: http://osfragmentosecomplementos.blogspot.com/

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sob o olhar de Espelhos Inconsequentes




"Espelho, espelho meu existe alguém mais... Do que Eu? "

E assim a humanidade inicia sua busca por "frutos proibidos" e com isso acaba digerindo maçãs envenenadas. Tudo por culpa de um espelho falante e demasiadamente crítico.

Mas afinal quem é o espelho?

O espelho é o pensamento deturpado do que Eu penso que os outros pensam de mim. Com isso os olhos já não contemplam a realidade, mas apenas pensam enxergar aquilo que é mera ilusão.

Vivemos o auge da Estética... Podemos calibrar os seios, retocar o nariz, retirar "aquela gordurinha" e muitas outras intervenções podem ser feitas. Quantas pessoas congelaram suas "emoções" a partir de uma aplicação de botox?! Isso mesmo, congelar emoções, pois estudos já demonstram que aplicações de botox em excesso podem diminuir a capacidade de expressão facial de sentimentos como: raiva, tristeza, alegria e medo. Dessa forma ocorre uma resolução temporária da pergunta: Há alguém mais bela do que Eu? Mas o espelho é questionador por natureza e com isso há um vício do sentir-se belo.

Mas nesse conto de fadas a cirurgia não é vilã... Afinal o que dizer das mulheres vitimizadas por um câncer de mama que puderam resgatar a feminilidade com um implante de silicone? O que falar das crianças que nasceram com lábio leporino e fenda palatina e que com uma intervenção puderam sorrir de maneira saudável? A cirurgia plástica é importante, desde que não seja banalizada por profissionais e pacientes, que buscam uma perfeição que não existe.

Mas o espelho não reside apenas em desejos de uma perfeição estética... Ele vai muito além, não é a toa que ele faz parte de nosso cotidiano - espelhando e refletindo o que de fato somos. E nesses contatos constantes surge a mentira velada - e assim encontramos gorduras ilusórias e assim o comer passa a ser perigoso. E aí nessa emergência de fantasia se questiona a maçã era envenenada ou tinha um poder mágico de me engordar? Uma pergunta que surge nos Transtornos Aimentares.Na Anorexia surge dessa distorção, ou seja, uma percepção incoerente, onde o sujeito pensa enxergar quilos à mais, onde de fato se constata quilos de menos - e assim o espelho mágico ilude mais uma vez. Não bastasse isso já temos mais um forma de anorexia é a drunkorexia (anorexia alcoólica) que associada ao alcoolismo potencializa mais a possibilidade de morte na doença. E a maçã continua problematizando. E se pudessemos sentir o sabor da maçã e logo em seguida expelir a dose letal? Seria possível? Por um lado apreciar o sabor que enfeitiça e por outro expurgar a culpa. Na Bulimia Nervosa  ocorre algo parecido, assim se ingere grandes quantidades de alimentos , seguidos por meios compensatórios, tais como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios extenuantes como forma de evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar. E nesse mundo de exigências há quem não contenha a ansiedade... E assim a saída é ingerir  o maior número de maçãs, quem sabe ela dê saciez a esse viver. E na compulsão alimentar o espelho parece desdenhar... Julga e condena e assim o sujeito entra em um ciclo vicioso, onde o comer é uma espada de dois gumes, alivia e ao mesmo tempo impele sofrimento. Observamos assim a obesidade, um problema grave que já aparece como epidemia por todo o globo. Quem diria que poderíamos morrer através do inocente ato de comer?

 E o espelho segue refletindo e ofuscando...

O espelho já era sem nem mesmo ser. Ele está na construção da psique de todos nós. Como não recordar o jovem Narciso que se apaixona por seu reflexo ao se admirar nas águas. De fato o espelho já era sem nem mesmo existir. E quando as águas calmas se agitam? Há de existir uma distorção... 
Hoje observamos atentos a vigorexia , um Transtorno Dismórfico Corporal na qual as pessoas realizam práticas esportivas de forma continua, com uma valorização praticamente religiosa (fanatismo) ou a tal ponto de exigir constantemente seu corpo sem importar com eventuais conseqüências ou contra-indicações, mesmo medicamente orientadas. Serão os novos narcisos? Penso que não, acredito que os vigoréxicos são os filhos dessa sociedade consumista. São a necessidade de compensação desenfreada e impensada. E assim vamos vendo mulheres cada vez mais musculosas, homens exageradamentes grandes e onde surge a maçã nesse contexto? Aparece nos anabolizantes e demais drogas que potencializam uma morte prematura. E nesse rito de amor egoísta definham como o Narciso.

E nesse mundo de fantasia, onde espelho é mágico... Onde um reflexo pode aprisionar uma vida, temos de aceitar que espelhos quebrados podem sim permitir o azar. Não falo isso de maneira supersticiosa, mas a partir de minhas observações.

Rockson Costa Pessoa
Imagem: http://jornale.com.br/wicca/?p=1566

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Barcos e amarras: Falando sobre sociopatia


Não importa quão valioso seja o barco, nem tampouco se o mesmo é caríssimo como um Iate ou se é singelo como uma canoa feita artesanalmente. O que realmente importa é amarrar o tal barco em um embarcadouro ou cais. Afinal barcos a deriva não são interessantes...


Hoje se fala muito em sociopatia, quem o diga as novelas (principalmente globais). Os sociopatas parecem ter se transformado em queridinhos da sociedade, e assim o senso comum surge com força total e já atribuímos a fulano ou sicrano o tal termo psicopata, serial killer, monstro e segue uma lista extensa.

O que as pessoas não percebem é que há muito tempo existem sociopatas e que de maneira geral convivemos com muitos deles e não nos damos conta. São "vizinhos", "amigos", "compadres", "chefes", "parceiro de copo," "amigo de futebol" e etc. Esse BOOM acerca dos sociopatas é apenas um reflexo de nossa própria sociedade.

Sociopata é o indivíduo que possui um transtorno de personalidade caracterizado por padrões de comportamento que colocam essas pessoas em conflito com a sociedade. De maneira geral, negligenciam os direitos dos outros em detrimento do seu. Assim sociopata não é apenas um criminoso, é também aquele sujeito que não responde a regras e padrões sociais. Muitos sociopatas apenas mentem, logram, enganam, trapaceiam e perseguem colegas no serviço. O termo Psicopata já é relaciona com o sociopata que tem por característica cometer crimes bárbaros, ou demais tipos de perversidade que acarretam seqüelas graves e geralmente morte de suas vítimas. Theodore Robert Cowell "Ted" Bundy (24 de novembro de 1946 – 24 de janeiro de 1989) foi um dos mais temíveis psicopatas dos Estados Unidos da América durante a década de 1970 e com o estudo do seu perfil tivemos a gênese do termo "serial killer" (assassino em série), ou seja, um assassino em série é um tipo de criminoso de perfil psicopatológico que comete crimes com uma certa freqüência, geralmente seguindo um modus operandi e às vezes deixando sua "assinatura", como por exemplo, uma letra, o sapato, um código e etc. Serial killer também possui ritos, assim só "caça" mulheres morenas (por exemplo), ou então caça, por exemplo, apenas na lua cheia. Alguns tem preferência por um tipo de sexo, por padrões de altura, crença e até localização geográfica.


Você querido (a) leitor (a) pode estar se perguntando: Que diabos tem haver barcos e sociopatia? Já respondo.

O sociopata sempre existiu... Não é um perfil novo, como costuma sugerir as novelas, de maneira alguma. Podemos dizer que o sociopata é aquele indivíduo que não possui um “polimento social" ele é realmente o homem na sua mais pura natureza e essência. É regido por seus instintos, fantasias e desejos., seus critérios ilógicos, mas que possuem padrões em sua psique. O sociopata há muito já rompeu com a sociedade e se esconderam ao longo da história do mundo atrás de ritos, religiões, tradições, cultura e etc. Assim podemos lembrar das inquisições, lembrar do nazismo, das tradições de pouco tempo atrás, onde o homem deveria matar a mulher adúltera ou assassinar o filho homossexual. O sociopata está em nossa sociedade a todo tempo. É só analisarmos os fatos históricos que acabamos por encontrá-los. Muitos ficaram no anonimato, claro que aqueles que cometeram exageros acabaram expondo uma realidade que jamais existiu. Mas hoje vivemos sim, sem sombra de dúvida o boom dos sociopatas, assim como a China vive com o fato de ter criado seus bordelines, afinal com a criação institucional dos "segundos filhos", aqueles que eram desprovidos do apoio do estado, acabou por criar sujeitos bordelines que já começam a causar "transtorno". Nós no Brasil por meio de nossa "fragilidade" nas três forças sociais (Estado, Exército e Igreja) e na ruptura das famílias, acabamos por propiciar a criação de transgressores, sociopatas e psicopatas.

Barcos ancorados...

Como disse, o que impediu por muitos séculos uma libertinagem no mundo, foram às regras, valores, tradições e a moral. Antigamente os sociopatas podiam se esconder por entre tradições esdrúxulas, mas algumas outras podiam detê-los, por exemplo... Antigamente era religiosamente proibido insultar ou agredir um pai. Parece infame dizer que apenas uma ordem social poderia deter um perfil tão perigoso, mas de fato assim acontecia. Antigamente por mais que você odiasse seu chefe, de maneira alguma você poderia vir a agredi-lo ou insultá-lo, afinal as cidades eram pequenas e tal acontecimento deixaria "descoberto" um sociopata e eles são por natureza amantes do sigilo.

Os barcos de hoje...

Hoje tudo está à deriva... Os filhos não recebem educação em casa, e na escola quando ocorre uma repreensão, os pais acabam processando a escola e o professor. O Estado não fiscaliza, e de fato complica mais a vida dos educadores ao criar leis e diretrizes que determinam que o aluno encerre o ano, pois os números contam mais. O Exército está falido e as força auxiliares, como a polícia está manchada por uma negligência também do Estado. A Igreja hoje está silenciada por denúncias de pedofilia... Ética? Moral? Educação? O que é isso? Isso virou artigo de luxo e ser educado hoje é sinônimo de "idiotice". E para engrossar o caldo: é só inserir drogas, principalmente o crack e aí podemos ter grandes transgressores.

Há quem diga que sociopatas já nascem assim, ou seja, é puramente hereditário. Não concordo, sabemos que AMBIENTE e HEREDITÁRIO se complementam, logo, temos que nos despertar para as coisas como elas são... Não poderemos salvar o mundo, mas nossa parte devemos fazer e assim educar nossos filhos para que sejam pessoas de bem e para que eles não venham a ser mais um barco a deriva na vida.



Rockson Costa Pessoa

Imagem: http://renata-gabriel.blogspot.com/

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Guerra dos Sexos - Final



E por fim há sempre desejo de paz...

Tudo se resume ao desejo, complicado é a ausência do mesmo e para agradar os que somam e outros que dimimuem... O pior é quando surge o prefixo in = indesejo.

Já dizia certo alguém que se há ódio, logo reside aí um sentimento... Sentimento é a matéria prima do AMOR ou do que convencionamos denominar amor. Sendo assim se existe guerra há a busca de interesses comuns, e descobrir que interesses são esses é papel do homem e da mulher entrincheirados. É claro que você leitor(a) ainda não deve ter se apercebido dessa disputa camuflada, talvez porque a relação tenha sido superficial demais, quem sabe pelo fato do seu parceiro(a) não ser tão diferenciado dos demais. Afinal a guerra acontece geralmente quando cruzados (não no sentindo libidinal) um homem naturalmente homem (macho em português claro), com uma mulher inteligente, bem resolvida, independente e linda (muita areia pro meu caminhão em machanês simplista). Pode ser que você nunca venha a ser convocado(a), pode ser que tenha relações ou a relação ideal e esperada... Então você não é o alvo desse post. Mas servirá para uma furtiva ajuda no futuro! Afinal nunca se sabe... Vai que você homem encontre essa mulher dos sonhos?! E você mulher... Vai que conhece aquele gato depilado, cheiroso e inseguro?! É melhor prevenir que remediar.

Como abrandar a guerra?

Para os homens:

Os homens têm que mudar! Sem isso, poderão entrar em existência em 2012!
Não adianta depilar o peito, depilar a sombrancelha, malhar o tronco (geralmente apenas o tronco, pois as pernas não fazem parte do corpo, segundo Descartes), fazer aquela tatuagem no tríceps (sim, aquela que todo mundo têm)e pintar o cabelo que nem o belo ou usar o corte do Cristiano Ronaldo. Estamos falando de uma mudança profunda... E isso implica em:

  • Entender que na TPM a mulher pode e deve ter acessos de raiva e até mesmo lhe ameaçar com uma faca;
  • Entender que a mulher pode ter um emprego melhor que o seu e que não é tão horrível dividir a conta "casualmente", claro que alguns homens adoram essa parte - o que já é um fator para ser afastado do cargo de: namorado, ficante, noivo, amante, gatinho e segue a lista;
  • Aprender que as preliminares são importantes... E que o sexo é para os dois e não apenas um processo similar a manobrar o carro em uma vaga. Há homens tão bons nisso que fazem a mulher chegar no clímax ainda com o " tigrão" na calça e isso não é apenas possível aos yogues ou gogo boys (que fique claro);
  • Seria interessante você fazer uma comida de vez em quando... Não apenas churrasco e sabe como arrematar de vez?! Lave a louça, com toda certeza ela vai amar você por toda a vida;
  • Converse mais... Isso significa que a vida não se resume apenas a futebol, sair com os amigos, encher a cara no bar e coçar o saco! Você pode não acreditar, mas conversar salva relações;
  • Mulheres adoram o sentimento de segurança e ele pode surgir com um abraço e até mesmo com um "colo"
  • Deixo para o final algo que é duro para um homem de verdade... Não consigo encontrar palavras para explicar isso... Bom, será necessário também fazer massagem nas costas e nos pés! Nem toda vez, uma vez na semana e em feriados.
Para as mulheres

Se você encontrou aquele carinha na balada, sim aquele cara malhado, bombado, com cara de ator americano, depilado, com cavanhaque, com pinta de garanhão, com cordão de prata e demais qualidades que não considero qualidades... E você se sentiu atraída e acabou iniciando alguma relação e acabou se deparando com um homem, digamos, de "propaganda enganosa", sim porque enquanto eram ficantes ele era uma "máquinha de sexo" e quando você o promoveu à ficante master, o equipamento começou a apresentar defeitos... Pode ser que você tenha encontrado, sim você foi sorteado com o macho legítimo. Há duas saídas: ou você termina e o difama para todas as suas amigas e amigos (que vocês têm em comum) ou tenta possibilitar um "up" do sujeito. O que se pode fazer;

  • Conversar com o ele, pois em alguns casos eles são suicidas em potencial (brincadeira);
  • Ser paciente, em alguns casos na 3 sessão de "ginástica localizada" já é possível observar resultados satisfatórios;
  • Se não resolver, você deve demonstrar que o seu sentimento por ele é maior que os prédios que você têm (risos) e que ele pode até trabalhar como síndico em um deles (risos);
  • Acompanhe o mesmo para uma avaliação médica e não encontra nada biológico... Procure um psicólogo, um analista, mas nunca jamais tome as seguintes ações:
  1. Nunca diga para os amigos dele que o mesmo "broxou";
  2. Jamais diga para o pessoal do prédio (porteiro, zelador e demais moradores);
  3. Jamais dê a ele o chá de Santo Daime;
  4. Nunca mate galinha preta ou algum animal preto e o deixe em encruzilhada;
  5. E por fim... Jamais coloque "água benta" no moribundo.
Penso ter ajudado (risos) de alguma maneira... Mas deixando a brincadeira de lado. Penso que as coisas, quando verdadeiras, tendem a se resolver. Geralmente a mulher é mais perspicaz na escolha do parceiro e isso determinará raros erros. O homem esse está mesmo em uma posição delicada e cabe a cada um a resolução de seus preconceitos, tabus e medos.

Rockson Costa Pessoa
Imagem: http://simoneteixeira.wordpress.com/2008/04/14/sabia/