Há muito atrás, num lugar frio e gelado, havia um menino que vivia num mundo de ferro... Ele um mero humano, dividia sua existência com máquinas de todas as espécies. Ele se sentia só e buscava uma companhia – um alguém para se sentir menos solitário. Abriu um velho embrulho e nele encontrou seu coração que batia de maneira vívida. Tirou um pedaço do coração e colocou numa máquina que achou por perto... Logo nasceu um amigo. Eram inseparáveis mas, por força do destino, apareceu a ferrugem... E esta se mostrou bem forte e logo a máquina endureceu e não pôde mais andar com o menino... O menino ficou triste, mas como prova de carinho deixou o pedaço de coração com o antigo amigo.
A vida do menino nunca mais fôra a mesma, agora já sabia o que era ter alguém do lado e precisava disso e já havia se esquecido de como viver sozinho. Voltou para o embrulho e mais um pedaço tirou... Encontrou uma nova máquina, mas essa era mais nova – ele não queria mais um encontro com a tal ferrugem! E mais uma vez foi feliz, e assim, experimentou coisas novas e a vida já lhe sorria... As vezes até esquecia que vivia num lugar tão frio e por esquecer esse detalhe... Um dia o frio foi intenso demais e quando fechou os olhos e se enrolou no seu velho cobertor, dormiu feliz e realizado, mas ao amanhecer do novo dia, descobriu que o frio intenso da noite anterior, fez com que o ferro do novo amigo, congelasse o coração dado... E agora já não havia mais vida. O menino se revoltou, não aceitava mais uma perda e não quis chorar, afinal estava viciado em ter alguém ao lado, precisava disso para viver agora e assim mais uma vez fez uso do embrulho...
Não sei ao certo... A história é muito antiga, mas dizem que esse menino teve inúmeros companheiros... E da mesma forma que descobria novas formas de amizade, descobria também o lado triste de perder alguém importante. Dizem que ele nunca chorou, nunca. Não que ele nunca quisesse, mas sim, porque no dia que mais desejou isso, não mais pode! Por que? Bem, um dia, após perder mais um amigo ele correu para o velho embrulho e lá nada mais encontrou, nem sequer um pedaço... Dizem que nesse momento ele quis muito chorar... Mas agora já não havia coração se quer para torná-lo humano... E assim o menino viveu triste... Pois agora não era nem humano e nem ferro... Era apenas um corpo gelado, numa cidade fria e escura.
Dizem que até hoje o tal menino vive em sua eterna busca... Não a busca por amigo, mas sim a busca por um mero pedaço de coração.
Rockson Costa Pessoa
terça-feira, 24 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
ANÔNIMO TEMPO
Não escondo minha atração pelo tempo... Não sei se é uma forma de me privilegiar com o mesmo ou se é uma maneira de aceitar o fato da existência dele. Desde sempre somos regidos por esta força, algo tão intenso e profundo e que sem pressa agi sorrateiramente e as pegadas encontramos em nós mesmos.... Queria poder ser eterno e caminhar com Ele mas não é possível, então só posso eternizar esse viver, que se faz uma vez só.Não há fonte da juventude real, existem miríades em várias mentes. Naquelas que entenderam que juventude significa: felicidade plena e aceitação de sua natureza. Jogo então moedas na fonte de minha vida, esperando assim que o tempo seja brando comigo e que por alguns momentos se esqueça de minha existência... Ser eterno ou ser mortal uma escolha difícil, mas só nos resta a setença única e devastadora.Por isso gosto do tempo, não sei se ele se sente atraído por mim, mas de maneira camuflada, ainda prefiro o anonimato. Prefiro que ele cavalgue em seu cavalo para longe e que depois de um certo tempo, venha resgatar-me... O tempo, ele mesmo, justo juiz, que setencia nosso corpo e assim nos marca com seus intentos. Como um escultor que necessita constamente retocar sua obra de arte. O bom é que a alma, bem, essa amadurece sem cicatrizes, sem marcas nem rugas e sem datas ou números. Por isso cuido da alma para que está seja eterna. Meu corpo esse eu zelo, mas sei que ao dormir.... O tempo virá para retocar e dar mais um acabamento, um de muitos que ainda irão acontecer... No anonimato de nossos sonhos profundos e de dadas noites, ele vêm.... Silencioso e paciente, eterno em suas virtudes e qualidades. Que seja bom o tempo comigo e que façamos um pacto de paz. Para que, em dada esquina ele me toma para enfim eu poder ser eterno e livre, como as brandas águas que repousam serenas na fonte.
Rockson Costa Pessoa
Rockson Costa Pessoa
quarta-feira, 11 de março de 2009
Os homens são mágicos…
Agora percebo que todos nós homens somos mágicos, afinal conseguimos disvirtuar realidades e enganar a nós mesmos com nossas vãs ilusões. Conseguimos vivenciar 3 realidades temporais: passado, presente e futuro e não obtemos sucesso em nos fidelizarmos a nenhuma delas. O homem é um ser tão ilusório que consegue viver de algo que não existe – o passado! Afinal quem me prova que ele existe? Ele é pretérito, mas por mais louco que pareça o homem (nós), conseguimos nos prender anos a fio em algo que não mais existe... É a memória é a cartola mágica e o passado virou o truque preferido de muitos...
Outra capacidade explêndida de nós seres-humanos é o poder de ignorar o presente, ou seja, de fazer desaparecer algo que EXISTE! Não falo de tele-transporte, mas sim de arrebatar o hoje e transformá-lo em nuvens de NADA... O homem tem essa habilidade, não sei se aprende na escola da rapidez da vida, ou se já nasce com esse talento surreal.
Por fim os seres humanos desenvolveram ao longo do tempo o DOM de prever o futuro e embaralhando suas cartas, encontram os AZ de tudo, infelizmente essa mágica sempre apresenta fraudes e logo são desmascarados pela realidade e aí o show acaba para nós mágicos... E por fim o que temos? Não temos nada... Afinal por querermos sermos os melhores mágicos do mundo, acabamos nos tornando péssimos malabaristas e deixamos as três bolas caírem ao chão... O importante é que o show tem de continuar e nunca é tarde para aprendermos a viver o hoje e entender que o que fica para trás não pode voltar e o futuro, bom esse deve ser esperado com paciência...
Rockson Costa Pessoa
Outra capacidade explêndida de nós seres-humanos é o poder de ignorar o presente, ou seja, de fazer desaparecer algo que EXISTE! Não falo de tele-transporte, mas sim de arrebatar o hoje e transformá-lo em nuvens de NADA... O homem tem essa habilidade, não sei se aprende na escola da rapidez da vida, ou se já nasce com esse talento surreal.
Por fim os seres humanos desenvolveram ao longo do tempo o DOM de prever o futuro e embaralhando suas cartas, encontram os AZ de tudo, infelizmente essa mágica sempre apresenta fraudes e logo são desmascarados pela realidade e aí o show acaba para nós mágicos... E por fim o que temos? Não temos nada... Afinal por querermos sermos os melhores mágicos do mundo, acabamos nos tornando péssimos malabaristas e deixamos as três bolas caírem ao chão... O importante é que o show tem de continuar e nunca é tarde para aprendermos a viver o hoje e entender que o que fica para trás não pode voltar e o futuro, bom esse deve ser esperado com paciência...
Rockson Costa Pessoa
Não seja como os cachorros
Era sempre assim, dobrava a esquina e aquele mesmo cachorro a me persseguir. Corria desesperadamente atrás do carro, mas logo ficava para trás. Eu achava engraçado e também não posso negar que me intrigava com tamanha “burrice” daquele cão.Ele deve ter corrido umas 20 vezes atrás do meu carro e só parou de correr, quando em uma noite de chuva fina e ele fechou os olhos e nunca mais abriu...Por muito tempo, sem saber ou imaginar, eu era como esse cachorro. Correndo atrás de coisas que não eram coerentes, e por mais clara que fosse a realidade, de alguma forma eu a ignorava e passava a correr atrás das coisas, uma busca infrutífera... E acabei que me tornei tão burro quanto aquele animal... Ainda bem que nunca é tarde para mudar e mudei.Ainda hoje, pessoas continuam a correr atrás de carros imaginários e perseguem coisas por um costume ou hábito nocivo.As vezes nos pegamos correndo atrás de “falsos amores”, pessoas que na nossa mente se configuram o amor verdadeiro, mas que na verdade não passam de uma paixão doentia.Podemos correr atrás de falsos amigos, que nos ignoram, que nos maltratam e que no fim... Nada mais são que colegas, somentePodemos correr atrás de sonhos infrutíferos e acabamos por criar uma realidade paralela, onde nem se vive o real e o imaginário só cabe na fantasia.Podemos correr atrás de preenchimento da alma, como se pudéssemos preencher um vazio de carência, com simples amores instantâneosPodemos correr atrás dos outros, sem ao menos sermos notados. Com isso passamos a nos rebaixar por idéias criadas por outros que adotamos, como aquelas que somos inferiores, ou menos importantes que alguém...Podemos correr simplesmente atrás de novidades... Buscando em cada novo carro um sentido para a vida, mas logo o carro vai embora e ficamos a ver não mais carros, mas sim naviosA verdade é que ao passar ainda hoje por aquela rua, me recordo daquele cachorro, que persistentemente fazia da perseguição seu objeto de trabalho... E me dói ver pessoas que ainda não conseguiram enxergar a verdade... Pessoas com potencial, com talentos e habilidades que se submetem a vidas de cachorros... seres inferiores que lidam puramente a partir de instintos.Hoje a noite, passou na TV que vai chover... Pedirei a Deus que ninguém feche os olhos para não mais abrir... Pois um cachorro morrer sem mudar um hábito, bem isso é esperado. Mas agora, um humano morrer tendo vivido uma vida de cachorro... Bem, isso é tragédia.
Rockson Costa Pessoa
Rockson Costa Pessoa
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
O Pequeno Príncipe e a Raposa by Antoine de Saint-Exupéry
E foi então que apareceu a raposa.
__ Bom dia - disse a raposa.
__ Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, que , olhando a sua volta, nada viu.
__ Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
__ Quem és tu? - perguntou o principezinho. __ Tu es bem bonita...
__ Sou uma raposa - disse a raposa.
__ Vem brincar comigo - propôs ele. __ Estou tão triste...
__ Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. __ Não me cativaram ainda.
__ Ah! desculpa - disse o principezinho.
Mas após refletir, acrescentou:
__ O que quer dizer "cativar"?
__ Tu não és daqui - disse a raposa. __ Que procuras?
__ Procuro homens - disse o pequeno príncipe. __ Que quer dizer "cativar"?
__ Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
__ Não - disse o príncipe. __ Eu procuro amigos. __ Que quer dizer "cativar"?
__ É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. __ Significa "criar laços"...
__ Criar laços?
__ Exatamente - disse a raposa. __ Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E Não tenho necessidade de ti. E tu também não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo...
__ Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. __ Existe uma flôr... eu creio que ela me cativou...
__ É possível - disse a raposa. __ Vê-se tanta coisa na Terra...
__ Oh! não foi na Terra - disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__ Num outro planeta?
__ Sim.
__ Há caçadores nesse outro planeta?
__ Não.
__ Que bom! E galinhas?
__ Também não
__ Nada é perfeito - suspirou a raposa.
Mas a raposa retornou a seu raciocínio.
__ Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
__ Por favor... cativa-me! -disse ela.
__ Eu até gostaria -disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
__ A gente só conhece bem as coisas que cativou -disse a raposa. __ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
__ O que é preciso fazer? -perguntou o pequeno príncipe.
__ É preciso ser paciente -respondeu a raposa. __ Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
__ Teria sido melhor se voltasses à mesma hora -disse a raposa. __ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.
__ Que é um "ritual"? -perguntou o principezinho.
__ É uma coisa muito esquecida também -disse a raposa. __ É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adoram um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
__ Ah! Eu vou chorar.
__ A culpa é tua -disse o principezinho. __ Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
__ Quis -disse a raposa.
__ Mas tu vais chorar! -disse ele.
__ Vou - disse a raposa.
__ Então não terás ganho nada!
__ Terei, sim - disse a raposa __ por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
__ Vai rever as rosas. Assim, compreenderá que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
O pequeno príncipe foi rever as rosas:
__ Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
__ Sóis belas, mas vazias -continuou ele. __Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mas importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
__ Adeus... -disse ele.
__ Adeus -disse a raposa. __ Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
__ O essencial é invisível aos olhos -repetiu o principezinho, para não esquecer.
__ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
__ Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... -repetiu ele, para não esquecer.
__ Os homens esqueceram essa verdade -disse ainda a raposa. __ Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
__ Eu sou responsável pela minha rosa... -repetiu o principezinho, para não esquecer.
__ Bom dia - disse a raposa.
__ Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, que , olhando a sua volta, nada viu.
__ Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
__ Quem és tu? - perguntou o principezinho. __ Tu es bem bonita...
__ Sou uma raposa - disse a raposa.
__ Vem brincar comigo - propôs ele. __ Estou tão triste...
__ Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. __ Não me cativaram ainda.
__ Ah! desculpa - disse o principezinho.
Mas após refletir, acrescentou:
__ O que quer dizer "cativar"?
__ Tu não és daqui - disse a raposa. __ Que procuras?
__ Procuro homens - disse o pequeno príncipe. __ Que quer dizer "cativar"?
__ Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
__ Não - disse o príncipe. __ Eu procuro amigos. __ Que quer dizer "cativar"?
__ É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. __ Significa "criar laços"...
__ Criar laços?
__ Exatamente - disse a raposa. __ Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E Não tenho necessidade de ti. E tu também não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo...
__ Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. __ Existe uma flôr... eu creio que ela me cativou...
__ É possível - disse a raposa. __ Vê-se tanta coisa na Terra...
__ Oh! não foi na Terra - disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__ Num outro planeta?
__ Sim.
__ Há caçadores nesse outro planeta?
__ Não.
__ Que bom! E galinhas?
__ Também não
__ Nada é perfeito - suspirou a raposa.
Mas a raposa retornou a seu raciocínio.
__ Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
__ Por favor... cativa-me! -disse ela.
__ Eu até gostaria -disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
__ A gente só conhece bem as coisas que cativou -disse a raposa. __ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
__ O que é preciso fazer? -perguntou o pequeno príncipe.
__ É preciso ser paciente -respondeu a raposa. __ Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
__ Teria sido melhor se voltasses à mesma hora -disse a raposa. __ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.
__ Que é um "ritual"? -perguntou o principezinho.
__ É uma coisa muito esquecida também -disse a raposa. __ É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adoram um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
__ Ah! Eu vou chorar.
__ A culpa é tua -disse o principezinho. __ Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
__ Quis -disse a raposa.
__ Mas tu vais chorar! -disse ele.
__ Vou - disse a raposa.
__ Então não terás ganho nada!
__ Terei, sim - disse a raposa __ por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
__ Vai rever as rosas. Assim, compreenderá que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
O pequeno príncipe foi rever as rosas:
__ Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
__ Sóis belas, mas vazias -continuou ele. __Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mas importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
__ Adeus... -disse ele.
__ Adeus -disse a raposa. __ Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
__ O essencial é invisível aos olhos -repetiu o principezinho, para não esquecer.
__ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
__ Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... -repetiu ele, para não esquecer.
__ Os homens esqueceram essa verdade -disse ainda a raposa. __ Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
__ Eu sou responsável pela minha rosa... -repetiu o principezinho, para não esquecer.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
O amor e o céu nublado...
Hoje acordei com o céu enegrecido... Parecia minh'alma e coração! Nublados pela falta de alguém... Pela ausência do amor que longe ficou
O amor é algo que ocupa o imaginário de tudo e todos... São palavras, gestos, signos, símbolos... É pano de fundo para todas as experiências humanas... Como o céu que figura sempre desde o início de tudo.
Hoje acordei com esse céu... Anunciando que logo, a chuva iria cair e lavar toda a bela cidade... Será que meu coração também anuncia chuva? Ou só mostra que é tempo fechado para mim? Será que lágrimas irão rolar para aliviar minha dor e solidão?
Agora fecho a janela do quarto, afinal a chuva pode molhar a cama, a escrivaninha... Tenho de previnir de preocupações... É a grande questão é saber a hora de fechar a porta da alma e viver a vida, esperando que a chuva passe e que o dia seja belo com um lindo céu...
Por isso fecho tudo e aguardo essa chuva triste e intensa que se abate contra mim...
O amor é algo que ocupa o imaginário de tudo e todos... São palavras, gestos, signos, símbolos... É pano de fundo para todas as experiências humanas... Como o céu que figura sempre desde o início de tudo.
Hoje acordei com esse céu... Anunciando que logo, a chuva iria cair e lavar toda a bela cidade... Será que meu coração também anuncia chuva? Ou só mostra que é tempo fechado para mim? Será que lágrimas irão rolar para aliviar minha dor e solidão?
Agora fecho a janela do quarto, afinal a chuva pode molhar a cama, a escrivaninha... Tenho de previnir de preocupações... É a grande questão é saber a hora de fechar a porta da alma e viver a vida, esperando que a chuva passe e que o dia seja belo com um lindo céu...
Por isso fecho tudo e aguardo essa chuva triste e intensa que se abate contra mim...
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Há algo no fim da estrada
Eu queria ter feito tantas coisas e não ter feito outras mais...
Se existe um fim, espero que nele haja também recomeço e que as dores de hoje, possam ser tratadas como um aprendizado e uma recompensa futura...
Não sou um monstro, mas também não sou o mocinho que jurava ser por tanto e tanto tempo. A vida passa, mas algumas coisas ficam, ahh... e como ficam, parecem aquele fiozinho que teima em ficar na roupa ou a poeira que só releva ao clarear do ambiente.
Queria poder dizer tanta coisa, mas as palavras não surgem e agora me vejo assim, preocupado e pensativo...
Existem demônios da alma, que nos espreitam a todo momento, querendo nos testar e devorar-nos sem piedade... Eu sei que eles estão aqui, esperando como serpentes que no maior descuido atacam a presa....
A vida é tão fácil, mas sempre teimamos em complicar, um pouco aqui.... Um pouco ali. Coisas da vida, já dizia um certo alguém...
Não sei até onde a estrada me leva, mas tenho de seguir... Se chegarei lá?! Não sei, pois me vejo mais e mais cercado... Como quem já vai está escolhido para ser atacado em dada esquina...
Sigo nessa estrada e que possa atravessar as trevas desse vale que me assusta...
Deve haver uma razão para tudo que acontece... Para as dores da alma, para os pecados que não esquecemos e para tudo que deixamos como prova do crime...
Não te peço compaixão, sei o que fiz e por isso estou sozinho nessa jornada... No mais é seguir andando e andando e torcer que os abutres não me sintam o odor da minha alma...
Deus... Que o Senhor em Sua imensa Compaixão me ajude nessa triste jornada e que meus pés não vacilem mais, pois tenho esse hábito...triste hábito por sinal
Preciso de um tempo... Que me será concedido na caminhada... Quanto tempo mais? Quanto tempo mais? Será que já estou condenado e brinco como rato em pata de gato? Ou há um recomeço no fim dessa dolorosa jornada...
Que o vale não me devore e que a minha voz ainda possa ressoar pelo mundo afora...
Amém
Se existe um fim, espero que nele haja também recomeço e que as dores de hoje, possam ser tratadas como um aprendizado e uma recompensa futura...
Não sou um monstro, mas também não sou o mocinho que jurava ser por tanto e tanto tempo. A vida passa, mas algumas coisas ficam, ahh... e como ficam, parecem aquele fiozinho que teima em ficar na roupa ou a poeira que só releva ao clarear do ambiente.
Queria poder dizer tanta coisa, mas as palavras não surgem e agora me vejo assim, preocupado e pensativo...
Existem demônios da alma, que nos espreitam a todo momento, querendo nos testar e devorar-nos sem piedade... Eu sei que eles estão aqui, esperando como serpentes que no maior descuido atacam a presa....
A vida é tão fácil, mas sempre teimamos em complicar, um pouco aqui.... Um pouco ali. Coisas da vida, já dizia um certo alguém...
Não sei até onde a estrada me leva, mas tenho de seguir... Se chegarei lá?! Não sei, pois me vejo mais e mais cercado... Como quem já vai está escolhido para ser atacado em dada esquina...
Sigo nessa estrada e que possa atravessar as trevas desse vale que me assusta...
Deve haver uma razão para tudo que acontece... Para as dores da alma, para os pecados que não esquecemos e para tudo que deixamos como prova do crime...
Não te peço compaixão, sei o que fiz e por isso estou sozinho nessa jornada... No mais é seguir andando e andando e torcer que os abutres não me sintam o odor da minha alma...
Deus... Que o Senhor em Sua imensa Compaixão me ajude nessa triste jornada e que meus pés não vacilem mais, pois tenho esse hábito...triste hábito por sinal
Preciso de um tempo... Que me será concedido na caminhada... Quanto tempo mais? Quanto tempo mais? Será que já estou condenado e brinco como rato em pata de gato? Ou há um recomeço no fim dessa dolorosa jornada...
Que o vale não me devore e que a minha voz ainda possa ressoar pelo mundo afora...
Amém
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