terça-feira, 29 de junho de 2010

Pedaços


Ela veio em pedaços...


Veio em fragmentos incompreensíveis;
Em devaneios e promessas absurdas!
Quis tê-la abraçado...
Eu quis muito ter sido [dela] e assim culminar numa recíproca!

Mas...

Chegou em pedaços...

Tive ao alcance de meus belos sonhos
Mas jamais...
No sentido [concreto] de uma doce realidade.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

UM OÁSIS EM MEIO AO DESERTO - Trabalho realizado no Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro (My tops)




Lembro do primeiro atendimento realizado no grupo de familiares do CPER, na qual eu e mais algumas pessoas participamos conjuntamente. Lembro-me da sala com aparência tão residual quanto uma esquizofrenia que embota a alma. Recordo-me dos primeiros rostos que fitei e em todos eles se via marcas de uma vida de sofrimento e de luta. A fala de todos aqueles familiares parecia buscar devotar aquele sofrimento que ambos sentiam. Como se quisessem mensurar uma dor – como se buscassem dizer que a dor de cada um sentia era maior ou mais significante do que do outrem.

Então estava configurado o cenário. Uma sala de triste e de mórbida aparência, e pessoas tão tristes e pálidas como a tal sala. Nós os facilitadores do grupo estavam assim no papel de contribuir de alguma forma e conjuntamente com tais indivíduos. Um trabalho deverás difícil, porém não impossível.

Em dado momento na sala, uma fala ressoa de maneira atordoadora “Ah eu já nem me lembro da minha data de nascimento”. Bom, essa fala causou uma revolução em minha mente e ali pude constatar não somente o que os olhos viam, agora podia escutar o próprio som da anulação, o som da perda de identidade. O forte som que diz de certa maneira: “passo a viver pelo meu familiar que é doente e esqueço de mim mesmo”, ou seja, a partir do surgimento da doença, se observava assim que toda a família se mobiliza junto com esse processo de adoecimento. Quando busco uma forma de ilustrar esse grupo, a imagem que me vem é de um deserto. Onde tudo é difícil e complicado.

Um deserto onde os dias são longos, e você se vê debaixo de um sol escaldante, procurando uma vaga para uma avaliação psiquiatra, onde você se vê ali com um familiar, que precisa ser vigiado, pois teme que este faça mal a alguém ou que até mesmo faça mal a si mesmo. Um deserto em que você não consegue parar nem para pensar em si, pois o tempo é curto para tantas e tantas inspeções médicas e o único maná que desce do céu é um auxílio saúde e quem sabe uma aposentadoria.

Dado deserto onde as noites são mais aterradoras , onde o frio é tanto que dói a alma. Onde a noite é deverás traiçoeira e nela surgem vozes que mandam alguém machucar ou até mesmo “esquartejar” o outro. Onde o sono não é tão saboroso, na verdade é um sono de bombeiro de emergência, pois a qualquer momento você se vê na emergência de alguma situação.

Então assim é esse deserto. E eu e outros colegas estávamos nesse deserto também, pois ao ouvirmos as histórias, os depoimentos, os relatos emocionados. Sentimos o sofrimento de cada participante, mas somos continentes e estamos ali para de alguma forma construir algo em comum ajuda com estes participantes. Sendo assim entendemos que há uma troca – um fazer junto.

Quando estamos no deserto, o que buscamos tanto na fantasia, quanto na realidade é encontrar um oásis. Um lugar que nos proporcione água, um descanso e um incentivo para prosseguir no tal deserto da vida.

O grupo de familiares é assim o oásis. Que se permite construir na medida em que as pessoas passam a gostar de freqüentar o grupo, no passo onde a escuta do outro, permite ao sujeito ver que cada um tem uma dor, um desafio, mas que ninguém sofre mais que outro. Um oásis onde cada um tem um tempo de se ver no reflexo dessas águas e que com isso possa se notar como um “SER”, não apenas um cuidador, mas sim, indivíduo dotado de singularidades. Um oásis onde podemos descansar dos infortúnios da vida. Mas um lugar acima de tudo em que possamos criar, onde possamos nos articular e assim buscar melhorias para nossos familiares.

A sala não vai mudar de aparência e nem tampouco aquele velho ar-condicionado irá parar de roncar de maneira alucinante, mas acredito que as pessoas possam mudar à medida que acreditam que a vida não é somente sofrimento. A idéia de oásis é a idéia de em meio aos muitos desertos existem lugares para se descansar, mas em nenhum momento o deserto deixará de existir. Assim como na clínica, alguém senta ao divã para descansar e verbalizar aquilo que incomoda. No grupo familiar, a mesma coisa acontece, e cadeiras se tornam mais que divãs.

Com isso entendemos esse oásis como um lugar, onde a dor pode ser abarcada por nós profissionais. Um lugar em que os fantasmas não causam tanto medo, nem aos familiares nem tampouco aos profissionais – uma pausa para que se possa trilhar o caminho com uma nova perspectiva.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Amor e dúvidas de conta conjunta


Passou... E aqui ficou meu [Eu]
Indecifrável digital.
Um xiste sem graça! Piada inacabacada...

Eu sei que estava uma mixórdia, mas não tinha jeito?
Não se pode arrumar o coração?

Passou... Rápido/ligeiro e nos olhos a decepção.
Se foi!Para longe levou...
Um misto de saudade e dor se instalou...

Passou... E aqui ficou meu [Eu]
Eu de Mim... e algumas comorbidades...
Para mostrar que sempre fica um pouco, algo mais!
Fagulhas de desejo... Pedacinhos de [volta depressa]
Senhas de uma conta conjunta...
Que em tal conjuntura perdeu a razão.

Vou debitar um pouco de mim de você

Posso não te pôr em dívida...
Mas sempre cabe uma dúvida
De não mais te querer...
Mas por fim...

Fica apenas o leve perfume e os versos
A lembrança inaudível dos sorrisos e dos abraços...
Dos pactos quebrados e indissociáveis.
Extratos diversos..

É vezo! Sim, esse hábito que tens...

Vai mais não parti! Fica em mim!

Colou em minha´lma... Sanguessuga voraz!
Antes tivesse ausente, mas ficou presente o [in]desejo
Esse desejo louco e desalmado...
Gutural bobo desfecho.
Deleito...
De no final te querer

Envelhecendo


E então vai envelhecendo...
Envelhecem as idéias.
Envelhecem os preconceitos. Tudo é fulgaz...
Fito o infinito.

Envelhece a casa, a poeira cai
Ela corre louca e insana vai..
Leva meus fragmentos de vida.

Envelhece o rosto... Quem é esse no espelho?
Bem disseram que há estranhos em nós.
Me esqueci de aprender a perder...

Escurece lá fora?
Ou já me ilumina a penúmbra?
Acizentou o céu... Agora se tornou opaco.
A escuridão me circunda.

O tempo parou? Ou ando mais lento?
Não sei ao certo - tudo é relento
Desse misto de fadiga e saudade.
[Sofrimento]

Envelheci e já sinto...
O peso, a dor e o sofrível...
Reconhecer que já me apresso.

Já corro!

Rumo ao desconhecido
O tão fatídico e inesperado
Infinito.

Perder-se


Nas trilhas sinuosas vou me perdendo...
Nessas inconstâncias vertiginosas - vertigens de tempo...

Como perder-se? Perder o caminho ou razão de trilhar...
Nos perdemos aos poucos...
No conhecimento que chega.
Na poesia que fica!

Nos perdemos sem a identidade do PORQUE(?)
Nos perdemos pelo que chegamos a buscar!
Sem encontrar...
Nos esquecemos no caminho.

Nos perdemos nos beijos comprados.
Nos amores rebaixados - desmerecimento indolor...
Desilusão que se ACHA, mas com certeza de ter!

Perde-se...

Perder para ganhar uma dor?
Perder para crucificar os espíritos da desilusão?
Me perder...

Já começo a me perder nas palavras!
Na poesia...
Nos versos e entonações anedotas... ( humor cômico ?)
De certo me esqueci nas dores do coração
No início da sinuosa...caminhada
Fustigante e inexpressiva...

[Solidão]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

É mais uma de amor (my tops)


Me pego chorando...

As vezes amamos alguém, e esse alguém em dado momento sai da tua vida. Com isso o que era dupla cumplicidade passa a ser vidas unas. Você jurava que o amor que sentia já a muito não existe, mas você é pego de surpresa e todo aquele sentimento tido como morto parece ter ressurgido. Aí você se depara com o presente.... Onde está o passado?! Onde está aquela que deixei... A crueldade mais dura é perceber que as pessoas mudam, elas amadurecem e o teu passado agora já não existe. Os teus sonhos a dois já não passam de velhos scripts e que agora não são mais coerentes com o novo contexto.

Um dia deixamos quem amamos na ignorância de achar que estas pessoas estarão a nos esperar, mas isso não acontece, infelizmente nosso egoísmo não aceita o fato de que as pessoas têm suas vidas, suas motivações, suas aspirações, suas paixões e tantas e tantas coisas. Com isso aquilo que você deixou ou abandonou se torna outra coisa... Será que ainda é amor? Será que tudo pode ser como era antes? Infelizmente não - não que exista uma globalização no amor, mas a verdade é que nunca estamos preparados para o desconhecido. Quando você retorna da triste e solitária jornada percebe que a pessoa que fazia juras à você... Também seguiu um caminho, percebe que você não é o todo-poderoso e que por se achar assim, perecerá com a dor de ver o que era teu sonho se tornar pesadelo.

Será que era amor? Será que é amor? Sim agora são duas perguntas... Nós humanos tentamos descomplicar o complicado que muitas vezes é nosso. Se hoje a pessoa que um dia disse que te amava se encontra ao lado de outra pessoa, isso não quer dizer que ela nunca tenha te amado.

Hoje eu aprendi isso...

Se ela ou ele te ama?!

Sabe isso é algo para se deixar para trás... Pois amores são eternos, não podem morrer, mas como titãs são aprisionados para o nosso próprio bem - chamo isso de instinto de proteção. Então hoje eu vejo que ao reencontrarmos um amor, que antes nos paralisava, que outrora propiciava sonhos e confidências, isso não significa que ele possa ser revivido, pois milagres como ressuscitar que está morto são raros. Devemos entender que a vida segue seus próprios mistérios... Hoje entendo que na esquina de cada coração existe um segredo, um sonho, um medo... Existe em cada coração a cicatriz de um amor que lá passou e deixou pegadas.

Hoje reconheço que tive um grande amor e que deixei que esse grande amor de mim fosse usurpado... Eu o abandonei, fuga por amar demais - incoerente ou não aconteceu e agora estou colhendo tudo que plantei...

Quando amamos, deixamos um pedacinho do coração com esse alguém, pois ao nos entregarmos à alguem esse alguém nos toma algo, não apenas um beijo ou um simples fôlego, esse alguém deixa vestígios e digitais na nossa alma. Se você já teve várias namoradas ou vários namorados, sempre irá sentir ao vê-los com outra pessoa. Ao ver uns você sentirá algo forte, estes são os mais importantes da tua vida (esses chamamos de amores), outros não nos afetarão tanto (nossas paixões). O importante de tudo é entender que devemos cuidar de quem amamos. Hoje aprendi a lição e estou fazendo uma pós sozinho....hehe . Não quero errar mais onde antes errei, e também não quero despedaçar meu coração para tantas e tantas. Hoje eu quero me resguardar da dor e de mim mesmo, pois as vezes por acharmos que amamos nos tornamos feras e até mesmo somos feridos no campo de batalha do amor. Sendo assim hoje fico OFF LINE... Pois sei que assim poderei sentir as verdadeiras batidas de um coração apaixonado.

Hoje estou chorando, mas entendo que é hora de partir... O corpo está na minha frente, gélido e estático - é está morto... Agora o que contemplo é apenas um amor que não mais existe, uma pessoa a mais, que antes foi meu amor, mais que agora nada mais é que mais um alguém... A dor é grande, mas temos de abandonar os que morrem... Coloco meus óculos escuros, enxugo as lágrimas, mas no coração ficam as coisas boas... O caixão desce e é hora de enterrar os mortos, antes que os fantasmas destes façam de nossas vidas um tormento... Muitas vezes buscamos reviver um antigo amor, um amor de infância, uma amor dito certo e eterno, mas na verdade o que contemplamos são apenas aspirações do passado, ou seja, um corpo mortificado por um presente que não está ao teu alcance.

Saio do cemitério do coração e aprendo que é hora de ir embora, a dor um dia passa e quem sabe um novo amor apareça para um piquenique... A verdade é que amores não encontrarei enquanto lamentar meus mortos - se matei ou não tal amor?! Sabe as vezes é melhor arquivar isso... Hoje já tenho esperança de que sozinho posso aprender mais e mais, para que no próximo relacionamento eu posso permitir que uma vida à dois seja vívida...

Cálido ou casto


E então eis que surge a questão:

- Cálido ou Casto? Qual real natureza desse sentimento?

Olhos petrificados... Coração na mão! O que poderia Eu responder?
Fitei a boca trêmula de quem perguntava. Um inquisitora? Uma alma assustada?
Não se sabe... Como não cabe respoder a [natureza] do dito amor!

Se cálido ou casto...

Nunca saberei.
... O meio termo jamais encontrei!

Ficou no ar o peso trágico...
O sabor amargo!
Da resposta que jamais dei!