sexta-feira, 9 de julho de 2010

Segredo


"Há certas coisas na vida que hoje me permito entender...
Aquelas que jamais deveria ter dito.
Outras que nunca poderei dizer."


(Rockson Pessoa)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fantasia, praias e tartarugas marinhas



Há quem diga que as tartarugas sempre voltam à mesma praia onde outrora foram ovos. De maneira geral todos os quelônios possuem esse rito. Mas quero falar das tartarugas marinhas!

No período da desova elas voltam para as areias do passado... Sobem com dificuldade até a praia e quando encontram o lugar perfeito cavam, fazem a postura e por fim, tapam com cuidado e logo já estão no mar mais uma vez.

- Me sento um pouco nas areias dessa [minha] praia...

Somos como tartarugas marinhas!

Em todo o percurso de nosso desenvolvimento e existência vivenciamos 02 (dois) grandes momentos de fantasia. Infância e envelhecimento.

Na infância acabamos por conhecer a fantasia e aprendemos a fazer uso da mesma. Assim somos heróis e até podemos voar... E depois do vôo há que se pousar e assim mergulhamos na realidade "mediados" pela adolescência que floresce! Daí por diante vivemos a realidade nua e crua e passamos a viver para quitar o "consórcio da vida". Mas a fantasia não desaparece por completo, assim quando somos pais, recebemos doses de fantasia e assim confabulamos antes e após o nascimento dos filhos. E assim da mesma forma súbita que aparece ela volta a se esconder e seguimos pelo cotidiano da vida até que... Começamos a vivenciar o "declínio cognitivo e físico" e com ele também ocorre o declínio da realidade. É como se a fantasia aplicasse um "Golpe de Estado" reivindicando o trono. Com isso temos um rei infante com vestes envelhecidas.

De maneira leviana essa fantasia é para mim, a praia de nossa origem. Penso que estas areias fantasiosas nos protegem na infância, de fato elas nos constituem... Na adolescência somos forçados a ir ao mar e deixamos, meio que esquecemos a fantasia. Na vida adulta retornamos algumas vezes. Temos de colocar ovos, nossos filhos e acabamos por ter um novo contato e assim se dá um ciclo de ritos, vida e morte...

- Volto e permaneço no [meu] mar...

Mas sei que haverei de retornar para as mesmas areias e outrora. Essa praia da minha infante fantasia.

Menino de rua


Era uma vez um menino que perambulava pelas ruas da grande cidade... Seu olhar contemplava tudo e todos e por mais que o desprezassem, ele apenas sorria. Maltrapilho e descalço, se sentia o dono de tudo, afinal era senhor de todas as esquinas daquele lugar.

De noite procurava se recolher, com isso, encontrava companhia no amigo de muitos anos, um velho papelão e assim dormia e sonhava. Nos seus sonhos, já não era pequeno, e nos pés um lindo sapato... Nesse mesmo sonho, se via engravatado, como as pessoas que via na rua, as mesmas pessoas que o ignoravam e de certa maneira o desprezavam. Em certo momento, ele entrava em uma luxuosa panificadora e comia uma torta que só poderia ser comida com um dinheiro que ela não possuía. E assim seguia o seu sonho, onde assumia algo que não era ele e nem dele.

No dia seguinte, mais uma vez estava vagando maltrapilho e satisfeito, pelas ruas da velha cidade. Agora seguia para frente de uma churrascaria e ficava um bom tempo gravando cada detalhe de tudo, dos pratos, das carnes e contemplava tudo sorrindo. Depois procurava no lixo algum pedaço de sanduíche e voltava a olhar para a comida e para as pessoas que freqüentavam o lugar... Em dado momento, um mendigo que passava pelo local, e que o conhecia o indagou:

-O que você ganha olhando essas coisas meu filho? Não sabe que não tem dinheiro para comprar nada disso?!

- O que eu ganho tio? (O garoto esboça um sorriso de francos dentes)

- Eu ganho meu jantar de todas as noites, pois quando eu durmo eu sonho que posso comer tudo aquilo que vejo durante o dia. Por isso fico aqui para que a minha cabecinha não esqueça os detalhes de nada...

- O velho mendigo o olha sem entender!

- Sabe tio... Vou te contar uma coisa...

-
O menino dá uma mordida apaixonada no velho sanduíche ... Fita os olhos do mendigo com uma convicção assombrosa e em meio a um tímido sorriso, dispara...

-Hoje a noite serei aquele doutor ali

terça-feira, 6 de julho de 2010

Definições, chicletes e Apego


Daí a gente se apega...

Sem definição, sem explicação e nem critério nosológico. Simplesmente nos [a]pegamos! Meio que nos colamos em certo alguém. E não tem explicação plausível... É como encontrar aquele chiclete velho embaixo da mesa na sala de aula... Sem elucidação!

Necessitamos do outro... Precisamos respirar novas idéias, novas formas de escrita, novos estilos de poesia e doses vitais de carinho. "Somos onívoros de amor" - disse Neruda! Há em nós um espaço ideal para o encontro com o outro... Há a vaga exata, para que estacione um carro, uma moto e por que não uma bicicleta, na porta de nossa vida. Claro, claro... Pode ser aquela bicicleta com buzininha estilizada, assim facilita até o preparo para o encontro.

"Você dá aquela buzinada e minha pessoa já se prepara para te receber". Somos assim... Seres inexplicáveis, mais cheios de amor sem forma definida...

Somos chicletes!

Sei lá, chicletes que foram colados em dado lugar e sem qualquer configuração de espaço, nos sentimos assim, meios que pela metade, mas totalmente cheios de amores e desejos. Chicletes velhos em madeiras novas - espaços antigos em eternas e novas configurações...

E sabe por quê?

Porque nos apegamos... Pegamos a vogal, que pode ser definida como o Eu e colamos em um verbo tão forte que pode ser VOCÊ e assim há um link perfeito/ imperfeito... Nos A PEGAMOS e nessa furtiva necessidade de contato, eis que surge: APEGO!

Agora você é minha madeira... E Eu teu chiclete

sábado, 3 de julho de 2010

A LUA SEMPRE VEM DEPOIS DO SOL - Texto feito para colação da turma de psicologia 2008 (My tops)


Se me perguntassem o que aprendi depois desses anos de dedicação e estudo... Responderia a seguinte coisa:

"A lua sempre vem depois do Sol!"

Hoje... colegas, amigos, professores, pais e familiares se reunem aqui neste local para celebrarem a colação de uma turma de psicólogos, excelentes por sinal. E queria eu, poder ver as feições assustadas de todos vocês ao ouvirem tão comum resposta de um recém-formado psicólogo... Mas é a verdade, a mais pura verdade! A lua sempre vem depois do sol...

Então vocês devem estar se questionando o que isso tem haver com uma formação profissional, afinal, falamos de um investimento de [05 anos] e se esse que vos fala, só tem essa resposta? logo se pode imaginar que muito não se aprendeu... Ledo engano, na verdade tal afirmação significa um aprendizado verdadeiro e convicto.

Há aqui neste lugar, alguém que pode afirmar que essa idéia acerca dos astros é errônea? Creio que não! Porque isso é algo que aprendemos em qualquer lugar... A lua sempre vem depois do Sol - é fato. Meus colegas de turma, excelentes amigos e para mim formidáveis psicólogos. A jornada foi longa não acham?! Foi uma grande aventura essa formação. Anos de investimento, em estudo, trabalhos e leitura. Minhas apostilas estão lá... guardadas para mostrarem que não minto. E quero aproveitar a oportunidade para dizer que me sinto agraciado de ter participado desse percurso com todos vocês, muito obrigado!
Não me recordo o número exato dos que iniciaram essa caminhada, da mesma forma que não sei ao certo, quantos ficaram pelo caminho... Uns ficaram ao amanhecer do dia, la pelas 06 horas da manhã, pessoas que não me recordo com clareza, afinal ainda amanhecia, como clarear ainda tão cedo. O sol ainda estava por nascer... A natureza humana é algo magnífico, afinal tendemos sempre a agruparmos. E nossa turma não fugiu a essa regra universal e assim, existiram grupos, subgrupos, trios, e pessoas que teimavam em transitar de maneira livre por esses “mundos”. Ainda hoje grupos permanecem juntos e unidos, isso me faz lembrar alegria e potencialidade. Como o sol que aparece triunfante ao meio-dia, enquanto almoçamos com amigos e falamos amenidades sobre a vida... Entendo que depois de almoçarmos ficamos cansados, é algo endócrino aprendi em certo aula, com essa mesma turma. Será que por isso a nossa turma vivenciou tantos períodos de “deserto”.? É... salas desertas, pessoas cansadas, a vida foi complicada para todos nós, mas seguimos... sempre debaixo desse sol escaldante, e mais alguns ficaram pelo caminho, agora por volta do meio-dia...Mas por favor amigos, não mudem seus hábitos, só por causa deste que vos fala... E a nossa turma teve de seguir e hoje estamos aqui. Espero que nínguem esteja suado e com areia nos pés...É a colação de vocês!

Desde que nos entendemos por gente e passamos e pensar ( geralmente depois de levar-mos aquelas boas palmadas dos pais, lógico que merecíamos), começamos a confabular e a partir dessas confabulações aprendemos que a única certeza que temos na vida é que morreremos. Desculpe mas é a mais dura verdade... Se não sabia, já pode providenciar a apólice de seguros. Mas não vim falar de seguros e sim, que a lua sempre vem depois do Sol... E assim, no entardecer da nossa vida acadêmica, nos deparamos com os temores próprios dos acadêmicos, afinal logo seríamos: o doutor da família, o orgulho do pai e da mãe, a salvação das nossas famílias problemáticas (todas são) e uma gama de títulos que claro, nos assustam... Pois bem, nós tememos - isso é humano... O novo assusta e mobiliza, mas tivemos de prosseguir... Foi uma época difícil, iniciamos os primeiros estágios e começamos a trocar de pele, como cobras (desculpe a comparação) e assim passamos a fazer uso dessa nova pele - sentir-se Psicólogo e psicóloga.

Tenho certeza que na sexta-feira, lá pelo finalzinho da tarde o sorriso brota como que por mágica nas faces de todos aqui presentes, não posso apostar, afinal estamos vivendo a crise mundial – tenho de guardar dinheiro, mas tenho quase certeza que todos nos alegramos na sexta-feira pela tardinha... Cada qual com seu programa! Lógico, afinal "cada louco com sua mania..." Mas da mesma forma que nos animamos pela tardinha, nós formandos também nos alegramos , ainda mais os que apresentaram de maneira tranquila o TCC, (se você é maior de 45 anos, TCC é a antiga Monografia) e assim foi possível respirar... E como foi bom esse respirar tranquilo.

Hoje já é noite em nossas vidas, estamos mais calmos, o sono é mais tranquilo, os cabelos pararam de cair... Eu ainda roou as unhas, mas não vamos chegar no mérito da quesão, pois tem gente que ainda engorda... Mas deixemos isso de lado! Hoje todo mundo esquece dieta mesmo. Mas como eu ia dizendo...chegamos! Poucos, mas chegamos e com essa chegada, ganhamos de presente certas coisas , além da beleza da lua e logico.Certas coisas, tais como: sabedoria, maturidade, responsabilidade, credibilidade, senso de dever cumprido, um diploma, um título e acima de tudo a certeza de nosso papel na sociedade.

Se me perguntassem o que aprendi depois desses anos de dedicação e estudo? Responderia mais uma vez que: a lua sempre vem depois do sol! Mas se engana quem pensa que essa frase é tao banal quanto o repetir da mesma. Meus amigos homenageados, pais, familiares e professores... Gostaria de explicar a minha simples e tão desconexa explicacao.

"A lua sempre vem depois do sol... "

Significa na verdade, que nada que acontece hoje é novidade... Tudo que vivemos agora já aconteceu em dada época e lugar... Outras colações como essa aconteceram e irão acontecer. A vida é um ciclo pérpetuo de coisas. Novas hoje e velhas amanhã... E como formando, entendo que o maior aprendizado é termos consciência que não importa apenas o canudo que iremos receber, nem tampouco os cargos que assumiremos. O importante é compreender que estamos em constante mudança, hoje podemos ser o sol e amanhã a lua... A verdade, bem a verdade é que todos nós, sim formandos e todos os demais... Precisamos sempre do aprimoramento, nos qualificarmos e assim fazer com que essa construção de [Si MESMO], seja uma constante em nossas vidas – A vida é isso um comecar para terminar , para que no dia seguinte possamos observar mudancas, é... por que não dizer APRENDIZAGEM?
Caros colegas, hoje vocês são psicoóogos e serão responsáveis por muitas vidas, como já dizia, o profeta Homem Aranha: Grandes poderes trazem grandes responsabilidades, sendo assim, espero que todos nós possamos fazer uso de nossos conhecimentos, a fim de levarmos conforto para mentes, almas e vidas...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

No campo da Emoção


Hoje o Brasil foi eliminado... É duro mas é a nossa triste realidade!

Estava assistindo ao jogo e confesso que aquele primeiro gol, me enganou na medida que pensei: "Será fácil", mas quem imaginaria o final que tivemos? Creio que nem os mais pessimistas...

Na vida, no tocante aos sentimentos, as coisas se parecem... Poderia até arriscar que a partida de hoje (jogo), bem com a partida de nossa seleção (eliminação da copa) é um simulacro, grotesco mas real, das coisas emocionais - coisas do coração.

O Brasil entrou em campo e com todos aqueles jogadores estava um pouco de nós... Havia de certa maneira esperanças depositadas... Havia uma representatividade do tamanho do mundo e esquecemos que estávamos em um contexto de sorte e azar. Em um mundo de 50% para cada time. Mas pensamos nisso? Não... Há quem tenha feito "simpatias", há quem tenha elaborado um contexto favorável fazendo o uso de subjetividades... Há quem encontrou uma lógica rabiscada, uma forma de tocar a realidade?! Talvez! Somos indivíduos e dotados de uma razão também, mas vamos esquecer um pouco isso. Quero falar do campo da emoção!

Não há explicação... As coisas acontecem quando pensamos e agimos na emoção! Há quem as domine, outros são dominados e assim... Felipe Melo é expulso! Sim, ele se deixa envolver pelo fogo do momento e é vítima do passional! Na vida real... Quantos não matam por amor? Matam porque esquecem que há a possibilidade de o fantasioso amor terminar... Mas no campo há quem não respeite os cartões amarelos [alerta] e acabam por transgredir e determinar um cartão vermelho.

Expectativas... Quantos expectativas depositadas em um seleção! Somos visados, somos odiados, admirados, invejados, perseguidos! Somos o Brasil... E quando o assunto é futebol não se encontra razão alguma. Assim somos nós também na vida real. Há expectativas... Existem cobranças e por fim temos de lidar no campo da vida.

Por fim... (se assim se pode dizer)

A nação hoje chora, mas temos que entender que na vida se perde e se ganha, por mais que ainda tentem distorcer esse fato!

P.S: Para o Brasil só em 2014, mas para nós... Todo dia é uma novo possibilidade.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Confabulações de tempo à tempos


(...)


Há cinco anos atrás me considerava tão sábio, perfeito, correto e maduro que ao relembrar de certas coisas, percebo que hoje não cheguei nem perto da metade do que antes eu Era em suposição. Mas não foi em vão esses passeios no derradeiro tempo, pois nessas viagens sem [tempo certo] percebo que ainda sou o mesmo [humano imperfeito] de cinco anos atrás. Claro que ocorreram mudanças, aceitei de fato e com real sofrimento, que vivemos para aprender, até que morra em nós a fustigante necessidade de mudar e amadurecer...

Por fim... A única confabulação possível é:


Era tão ingênuo que não era possível nem ao menos compreender isto!